Quarta-feira, 17 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 12 de março de 2021
O Ministério da Saúde assinou nesta sexta-feira (12) contrato para compra de 10 milhões de doses da Sputnik V, vacina contra a covid-19 desenvolvida pelo instituto russo Gamaleya. O anúncio do ministério ocorreu um dia após governadores e prefeitos também anunciarem seus próprios acordos para fornecimento de doses.
Cronograma previsto pelo ministério:
— 400 mil doses até o final de abril;
— 2 milhões no fim de maio;
— 7,6 milhões em junho.
A vacina não conta com aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa): os responsáveis pelo imunizante ainda precisam realizar o pedido de uso emergencial. Para apoiar a comercialização no País, os russos firmaram parceria com a farmacêutica brasileira União Química.
“Para que possamos efetivamente aplicar a Sputnik, só necessitamos que a União Química providencie com a Anvisa, o quanto antes, a autorização para uso emergencial e temporário”, disse Elcio Franco, secretário do Ministério da Saúde.
De acordo com o ministério, a União Química afirmou que pretende fabricar o imunizante no Brasil, em São Paulo e no Distrito Federal.
A possibilidade de produção 100% nacional será avaliada pelo ministério nas próximas semanas e pode levar à concretização de outro acordo comercial.
Estados e municípios
Governadores e prefeitos também anunciaram nesta sexta acordos para a compra da Sputnik. O governador do Piauí, Wellington Dias (PT), anunciou que o Consórcio Nordeste formalizará a aquisição junto ao Fundo Soberano Russo de 39,6 milhões de doses da vacina, sendo 10 milhões para uso emergencial.
Na Bahia, o governador Rui Costa anunciou que vai fazer a compra de 6 milhões de doses da vacina russa.
Em Minas Gerais, a capital Belo Horizonte anunciou a compra de 4 milhões de doses e Betim, 1,2 milhão. Maricá, no Rio de Janeiro, anunciou a compra de 400 mil doses.
As negociações anunciadas por governadores e prefeitos ocorrem após o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizar, em 23 de fevereiro, que Estados e municípios comprem e distribuam vacinas contra a covid-19. A mesma autorização está prevista na recém sancionada lei federal 534/2021, que permite a aquisição por Estados, municípios e pelo setor privado.
Eficácia
A vacina Sputnik V teve eficácia de 91,6% contra a doença, segundo resultados preliminares publicados na revista científica “The Lancet”, uma das mais respeitadas do mundo. A eficácia contra casos moderados e graves da doença foi de 100%.
A vacina também funcionou em idosos: uma subanálise de 2 mil adultos com mais de 60 anos mostrou eficácia de 91,8% neste grupo. Ela também foi bem tolerada nessa faixa etária.
A vacina é a quarta a ter resultados publicados em uma revista, depois de Pfizer/BioNTech, Oxford/AstraZeneca e Moderna. Quando isso acontece, significa que os dados foram revisados e validados por outros cientistas.
A Sputnik V usa a tecnologia de vetor viral. Nesse tipo de vacina, um outro vírus (nesse caso, o adenovírus) “leva” o material genético do coronavírus, o RNA, para dentro do nosso corpo. Mas esse adenovírus é modificado para não conseguir se replicar (reproduzir). Por isso, ele não causa doença.
No caso da Sputnik, o adenovírus que leva o coronavírus para dentro do corpo é diferente em cada dose: na primeira, é o Ad26 (mesmo da vacina da Johnson). Na segunda, é o Ad5, mais comum. Ambos são adenovírus humanos.
Os cientistas russos explicam que usar adenovírus diferentes pode ajudar a criar uma resposta imunológica mais poderosa — em comparação ao uso do mesmo vetor duas vezes —, pois diminui o risco de o sistema imunológico desenvolver resistência ao vetor inicial.
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