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Economia As ações das empresas aéreas estão demorando para decolar

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Para especialistas, falta previsibilidade ao segmento, cuja retomada está intimamente ligada ao avanço do calendário de vacinação no Brasil. (Foto: Reprodução)

Entre os dias 8 e 12 de março, as ações de CVC, Embraer, Gol e Azul registraram as maiores valorizações acumuladas naquela semana entre os papéis do Ibovespa – 12,58%, 12,32%, 11,39% e 7,84%, respectivamente, ante uma queda de 0,9% do índice. As notícias sobre as sanções presidenciais aos Projetos de Lei que permitiam a compra de vacinas por empresas privadas foram as grandes alavancas dessas empresas ligadas ao setor de viagens.

O desempenho foi o oposto do registrado há 12 meses. Em março de 2020, o setor aéreo e de turismo na Bolsa enfrentava o pior momento da história. Com a chegada do coronavírus ao Brasil e, consequente, a diminuição não só de viagens, como de qualquer tipo de deslocamento, os ativos sofreram grande desvalorização.

Os papéis CVCB3, EMBR3, GOLL4 e AZUL4 caíram 56,86%, 43,75%, 55,59% e 60,51%, respectivamente, naquele mês. De lá para cá, vivem entre altos e baixos.

“As ações dessas empresas passaram a subir muito a partir do momento que começaram a surgir notícias de vacina, então isso deu um tom mais otimista para o setor. A queda do dólar também ajudou, porque Gol e Azul, por exemplo, têm dívidas em dólar”, explica Flavia Meireles, analista da Ágora Investimentos. “Mas é justamente porque elas subiram muito que temos recomendação neutra. Estamos mais cautelosos.”

De fato, o gráfico das cotações trimestrais das aéreas é uma grande montanha russa de expectativas. “Se você olhar o ano passado, começou uma certa recuperação em outubro porque diminuíram os casos de coronavírus. Em novembro e dezembro até teve um movimento no turismo doméstico também. Chegou a dar uma animada, mas agora caímos na segunda onda”, afirma Roberto Nemr, analista da Ohmresearch.

Segundo os especialistas, falta previsibilidade ao segmento, cuja retomada está intimamente ligada ao avanço do calendário de vacinação no Brasil. Até 19 de fevereiro, o País vacinou apenas 11 milhões, menos de 6% da população. Também ainda não há vacinas suficientes para todos os cidadãos.

“Nos EUA, eles sabem que vão chegar em julho com 60% da população vacinada, então as pessoas se planejam para voltar a viajar. Aqui não temos isso”, afirma Nemr. “E as empresas do setor têm dificuldade para se manter em prazo indefinido. A CVC fez capitalização ano passado de R$ 300 milhões, consegue atravessar 2021 com pouca receita, mas companhias menores não têm o mesmo fôlego”, diz.

Seria a empresa de turismo, inclusive, a que teria o maior potencial de alta no segmento de turismo e aéreas em uma eventual recuperação. Antes da crise, os papéis CVCB3 estavam cotados a R$ 29, chegaram ao piso de R$ 6,10 no dia 18 de março, pior momento da pandemia, e agora estão na faixa dos R$ 18,55. Os dados são da consultoria Economatica Brasil.

Incerteza

Na visão de Nemr, se o ritmo da vacinação continuar lento e as indefinições quanto à retomada econômica se estenderem para o ano que vem, o setor aéreo na Bolsa estará em risco. “Essas empresas já precisaram de auxílio ano passado, mas se não nos organizarmos e chegarmos em junho no ritmo de vacinação de agora, será bastante complicado. A palavra-chave para as aéreas é vacinação”, diz ele.

Alex Malfitani, vice-presidente financeiro da Azul, também acredita em uma retomada rápida do setor assim que a vacinação conseguir avançar. “Com o sucesso da vacinação e início das férias escolares a partir do último final de semana, o número de viagens aéreas explodiu. Acreditamos que para chegarmos nesse patamar ainda nos faltam alguns meses”, diz. “Enquanto isso, teremos que reagir em ‘tempo real’, fazendo os ajustes necessários no número de voos conforme a demanda e segurando o caixa, caso seja preciso.”

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