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Brasil A Pfizer quer armazenar vacinas em freezer comum e fará testes com grávidas no Brasil

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A recomendação foi feita pelo Centro para Controle e Prevenção de Doenças. (Foto: Reprodução)

Presidente da Pfizer no Brasil, a espanhola Marta Díez afirmou que a farmacêutica irá pedir autorização à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para armazenar a vacina contra a covid-19 no País em freezer comum, com temperaturas de -15ºC a -25ºC. A medida deve facilitar o transporte do imunizante a regiões mais remotas.

“Vai ser muito importante para armazenamento nos pontos finais de vacinação”, disse Díez.

Ela contou que a Pfizer fará testes no Brasil sobre a eficácia da vacina em mulheres grávidas. Serão aplicadas doses em 350 voluntárias.

A companhia também avalia, em outros países, os resultados em crianças e  pacientes imunodeprimidos. Díez assumiu o comando da farmacêutica no País em 1º de fevereiro deste ano.

O Ministério da Saúde recusou três ofertas da empresa, que esperava entregar 4 milhões de doses no primeiro trimestre, suficientes para imunizar 2 milhões de pessoas. “Teria sido melhor se chegasse antes, sim, mas a legislação não permitia”, destacou Díez, que antes chefiava a unidade da Pfizer no Chile.

A espanhola observou que há espaço para o governo negociar com a farmacêutica a entrega de mais doses, além das 100 milhões já adquiridas, no contrato assinado no último dia 19. “Vai depender da capacidade de produção e do interesse do governo”, disse ela.

Para negar por meses a compra da Pfizer, o presidente Jair Bolsonaro classificou como “abusiva” a exigência da empresa, segundo a qual a  legislação deveria ser alterada para o governo assumir riscos e custos por eventuais efeitos adversos das vacinas. Trata-se da mesma cláusula colocada por fornecedoras do consórcio Covax Facility, entre outras companhias, como a Janssen.

“Lá no contrato da Pfizer está bem claro: ‘Não nos responsabilizamos por qualquer efeito colateral. Se você virar um jacaré, é problema de você’”, afirmou o presidente, em 17 de dezembro do ano passado. Um dispositivo para destravar a compra foi inserido em minuta da medida provisória 1026/2021, com respaldo da Saúde, mas acabou excluído da versão final, publicada em janeiro.

Pelo pedido que será feito à Anvisa, a vacina poderia ser armazenada por 20 dias sob nova temperatura. O aval já foi dado pelo FDA, a agência de medicamentos dos Estados Unidos. Antes, a vacina seria armazenada apenas entre 60 a 80 graus negativos. Nestas condições, a validade é de 6 meses. A baixíssima temperatura era apontada como barreira pelo governo Bolsonaro para a compra.

A Pfizer também desenhou uma caixa que conserva a vacina em cerca de 70 graus negativos por um mês. Após deixar as baixas temperaturas, o imunizante ainda pode ser mantido por cinco dias em refrigeradores comuns, de 2 a 8 graus, já usados na rede do SUS. A vacina da Pfizer tem eficácia global de 95%. Na população acima de 65, alcança 94%, segundo avaliou a Anvisa.

Para garantir esse resultado são aplicadas duas doses, em intervalo de 21 dias. A empresa afirma que, neste momento, não negocia a venda do produto com prefeitos, governadores e iniciativa privada. “É uma questão de saúde pública, para evitar que as nações, regiões mais ricas, concentrem as vacinas”, argumentou Díez.

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