Domingo, 14 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 28 de março de 2021
A vacina não traz imediatamente de volta o mundo igual ao que conhecíamos antes da pandemia. Em Israel, mais da metade da população está imunizada, mas a impossibilidade de vacinar crianças e o medo de novas variantes faz com que o governo e a população continuem atentos ao uso de máscaras e à restrição de viagens. A vida começa a voltar ao normal, porém um normal cheio de resquícios da pandemia.
Na quinta-feira (25) à noite, véspera do fim de semana da Páscoa judaica, jovens andavam de patinete, bebiam cerveja e caminhavam em grupos procurando bares e baladas para aproveitar a noite no Boulevard Rothschild, região central de Tel Aviv. Alguns dançavam aglomerados perto da janela em ambientes fechados.
O clima era de comemoração: depois de três quarentenas, a população voltava a sair. Quem tem o “passaporte verde” pode frequentar ambientes fechados de bares e restaurantes e até jogos de futebol e shows. Para ter direito, é preciso ter tomado duas doses da vacina. Muitos jovens não usavam máscaras ou a levavam no queixo.
O uso de máscaras, porém, continua obrigatório em espaços públicos, já que crianças não podem ser vacinadas, o vírus continua circulando e ainda não se sabe se as vacinas impedem o contágio ou apenas a forma aguda da doença.
“Nós ainda não vamos tirar as máscaras, nem em ambientes abertos, nem em ambientes fechados”, disse, em entrevista ao site Ynet news, o responsável pela resposta à Covid do governo israelense, Nachman Ash. Israel implementou o programa de vacinação mais bem-sucedido do mundo. Mais de 60% da população já recebeu ao menos uma dose da vacina, e mais da metade já está totalmente imunizada.
A vacinação avançou, mas, como menores de 16 anos não podem se vacinar, a orientação continua valendo: máscaras devem ser usadas, quem pode ter sido exposto ao vírus deve fazer isolamento. Quando os israelenses foram às urnas na semana passada, a orientação era a mesma do resto do mundo onde a imunização anda mais devagar: álcool em gel, máscaras e distanciamento.
“De acordo com a nossa projeção, Israel estará com um número muito pequeno de infeções em um mês, similar ao que aconteceu na Austrália e na Nova Zelândia”, disse o professor Doron Gazit.
Gazit integra a equipe da Universidade Hebraica de Jerusalém que monitora a Covid-19. Ele faz a ressalva de que seria necessário que o resto do mundo também estivesse no patamar baixo para que tudo voltasse ao normal.
Além de continuar a usar máscaras, os israelenses enfrentam restrições a viagens. No pequeno país de nove milhões de habitantes, o principal aeroporto, Ben Gurion, foi fechado. Quando reabriu, apenas 3 mil pessoas podiam entrar no país por dia e com autorização, limite que só foi suspenso agora. Todos que entram devem ter feito um teste PCR antes, um assim que pousarem e mais um se quiserem encurtar a quarentena obrigatória de 14 para 10 dias.
Israelenses ficaram presos em outros continentes, sem conseguir voltar para casa e ameaçados de não conseguir votar nas eleições da semana passada. Um candidato ao Parlamento, o trabalhista Nachman Shai, só conseguiu entrar no país 20 dias antes do pleito. A apreensão é que variantes de fora provoquem um novo surto e levem por água abaixo todo o esforço de vacinação.
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