Sábado, 13 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 30 de abril de 2021
Durante o governo de Barack Obama, Joe Biden era conhecido por fazer piadas autodepreciativas. Não ter ido às universidades Harvard ou Yale, ele dizia, não o impedia de ser um especialista em política externa ou de saber negociar com o Legislativo. Agora com 100 dias de mandato, que se completaram nesta sexta-feira, Biden não pede mais desculpas. O presidente impulsiona a maior expansão do governo dos Estados Unidos em décadas, pretendendo gastar US$ 6 trilhões para enfrentar os desafios sociais e econômicos em uma escala nunca vista em meio século. Para um político que fez uma campanha eleitoral prometendo uma restauração das velhas normas políticas, seu histórico até agora equivale a um tipo de revolução que ele disse no ano passado que não perseguiria – mas que, segundo assessores, tornou-se inevitável diante da pandemia.
O resultado é algo que poucas pessoas esperavam: sua Presidência está transformando o significado de ser um democrata, mesmo na ala mais conservadora do partido que passou décadas pregando o evangelho do bipartidarismo.
“Ficamos muito felizes com sua agenda e somos os moderados”, disse Matt Bennett, cofundador do Third Way, um centro de estudos democrata que recebeu o nome da linha de governo adotada pelo ex-presidente Bill Clinton. “Alguns disseram que esta é uma lista de desejos progressistas. Nós diríamos que ele está definindo o que é ser um democrata moderado do século 21.”
Biden alardeou sua agenda de expansão de gastos públicos novamente na noite de quarta-feira em seu primeiro discurso ao Congresso, defendendo seus esforços para aumentar a vacinação e despejar trilhões de dólares na economia como uma forma de unificar uma nação fragmentada.
“Estamos vacinando a nação; estamos criando centenas de milhares de novos empregos”, disse ele. “Estamos entregando resultados reais às pessoas. Elas podem ver e sentir em suas próprias vidas.”
Biden, 78 anos, buscou essas mudanças radicais sem perder o faro de saber onde está o eixo central de seu partido. À medida que o consenso democrata sobre as questões mudou ao longo dos anos, ele acompanhou o ritmo – aborto, controle de armas, casamento entre pessoas do mesmo sexo, Guerra do Iraque e Justiça criminal – sem nunca chegar à mais extrema posição progressista. Agora, ele está liderando um partido que se inclinou para a esquerda durante o governo Trump.
Em ligações privadas com o senador Bernie Sanders – derrotado nas primárias democratas – ele coleta ideias da ala progressista do partido. Com o senador Joe Manchin, democrata centrista da Virgínia Ocidental, ele mantém o controle sobre a base no Parlamento. E, em conversas com o senador republicano Mitch McConnell, líder da minoria e um parceiro de negociação de longa data, Biden faz apelos por apoio bipartidário, mesmo quando adverte que não vai esperá-lo indefinidamente.
“Biden é um político que se adapta ao momento”, disse Rashad Robinson, presidente da organização de justiça racial Color of Change, que estava cética em relação a Biden durante as primárias, mas agora elogia seu trabalho. “Ele entende quando o contexto cultural mudou.”
Para consternação de alguns republicanos, Biden está abordando a política de maneira diferente dos presidentes democratas recentes, que acreditavam que o apoio do partido adversário seria um baluarte para as suas políticas. Na década de 1990, Clinton adotou a triangulação, uma estratégia que forçou os progressistas a se conformarem com políticas moderadas, fechando acordos com os republicanos. O ex-presidente Barack Obama passou meses tentando conseguir a adesão bipartidária para as suas propostas.
Ambas as estratégias estavam enraizadas em temores que começaram na era Reagan: fazer muito para agradar a ala à esquerda poderia afastar os eleitores moderados que tinham uma visão cética do governo, deixando os democratas incapazes de construir coalizões para a reeleição.
Biden e seu governo adotaram uma filosofia diferente, argumentando que os tempos difíceis tornaram as ideias progressistas populares entre os independentes e alguns eleitores republicanos, mesmo que os líderes republicanos continuem a resistir a elas. As informações são do jornal The New York Times.
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