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Mundo Países do Leste Europeu barram plano de Angela Merkel e Emmanuel Macron para retomar o diálogo com presidente da Rússia

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Presidente russo enviou tropas ao Casaquistão para extinguir série de revoltas. (Foto: Reprodução/Twitter/@KremlinRussia)

Os países do Leste Europeu frearam, nesta sexta-feira (25), o plano franco-germânico para que a União Europeia (UE) realizasse uma cúpula com o presidente russo Vladimir Putin, em meio ao acirramento das tensões entre Moscou e o Ocidente. A iniciativa, um revés para Angela Merkel e Emmanuel Macron, foi barrada pela Polônia e pelos países bálticos durante a cúpula europeia de dois dias que terminou nesta sexta, afirmando que ela poderia enviar um “sinal errado”.

Em outro indício das rachaduras dentro da UE, os países acirraram ainda mais o tom contra o governo ultranacionalista de Viktor Orbán, dias após a Hungria adotar uma controversa lei anti-LGBT+. O premier holandês, Mark Rutte, voltou a sugerir que Budapeste deixasse o bloco, enquanto Merkel, a líder mais longeva da UE, disse não se lembrar de ter presenciado uma discussão “tão profunda e honesta” como a que o bloco teve na nessa cúpula.

Esta provavelmente foi a última cúpula europeia de Merkel, que deixará o poder após as eleições de setembro desde ano, três anos após anunciar que seu mandato atual seria o último. Desde 2005, a líder da maior economia da UE teve um papel central na política do bloco e no seu direcionamento. O revés, ao menos temporário, que ela e Macron sofreram ao não conseguirem consenso para realizar a cúpula com Putin não foi habitual.

A reunião, disse Merkel em sua entrevista coletiva, seria importante para que a “UE soberana seja capaz de defender seus interesses” após o líder russo se encontrar com o presidente americano, Joe Biden, em Genebra no último dia 16. Ter suas próprias conversas, ela disse, é essencial para mostrar que o presidente americano não estava falando pelo bloco europeu.

“O presidente dos Estados Unidos se reuniu com Vladimir Putin para uma conversa séria, sem que isso fosse visto como uma recompensa para o presidente russo”, disse a chanceler, respondendo ao argumento encabeçado pelo primeiro-ministro polonês, Mateusz Morawiecki, de que o encontro seria uma “espécie de recompensa” a Putin por suas políticas “agressivas e provocativas”.

Macron buscou minimizar a divisão, afirmando que a falta de consenso “não é uma tragédia”, mas não escondeu sua irritação.

“A aberração hoje é que nós somos a potência mais dura diante da Rússia, apesar de sermos sua vizinha”, afirmou. “Vimos o presidente Biden se encontrar com o presidente Putin há algumas semanas. Eu disse aos meus colegas [europeus]: ele não pediu a sua opinião. E você vê eles se reunindo e não acha isso chocante. Nós somos as ovelhas negras.”

Diante do impasse, o comunicado final do bloco pede apenas a “revisão dos formatos de diálogo existente com Moscou” e demanda que o Kremlin “demonstre uma relação mais construtiva e compromisso político”, além de parar “com suas ações contra a UE e seus Estados-membros, assim como com países terceiros”. Como já é de praxe, pede também que a Comissão Europeia “apresente opções para medidas restritivas adicionais, incluindo sanções”.

Bruxelas já impôs sanções contra os setores financeiro, energético e a indústria bélica russa pela anexação da Crimeia, em 2014, além de medidas individuais contra pessoas físicas acusadas de violações dos direitos humanos ou de usarem armas químicas. Segundo diplomatas, medidas adicionais podem atingir pessoas e organizações suspeitas de lavagem de dinheiro ou oligarcas.

A última cúpula entre a UE e Moscou ocorreu em janeiro de 2014, quando a tensão já era evidente diante do rechaço russo à estratégia europeia de aumentar os laços com a Ucrânia e com o resto dos países em sua órbita de influência. Semanas depois, uma mobilização popular derrubaria o presidente ucraniano Viktor Yanukovich, aliado do Kremlin, o que culminou na ascensão de um governo pró-Ocidente. As informações são dos jornais O Globo e El País.

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