Sexta-feira, 16 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 14 de julho de 2021
Levantamento do Observatório covid-19 divulgado nesta quarta-feira (14) pela Fiocruz aponta uma melhora no cenário da pandemia no Brasil. Pela primeira vez desde o início de dezembro de 2020, nenhum estado apresenta taxa de ocupação de leitos de UTI Covid-19 no SUS superior a 90%.
Os dados são da mais recente semana epidemiológica, de 4 a 10 de julho. Esta é a terceira semana seguida com queda de indicadores de incidência e mortalidade por covid-19 na análise feita pela fundação.
O número de casos e mortes vem caindo há três semanas em um ritmo de 2% ao dia, mas, alerta a Fiocruz, ainda permanece em alto patamar. A taxa de letalidade segue em torno de 3%, percentual considerado também elevado.
De acordo com os pesquisadores da Fiocruz, a diminuição na incidência de novos casos e de mortes pode indicar um processo de arrefecimento da pandemia, que deve persistir nos próximos meses. O estudo também sinaliza que a tendência de redução das taxas de ocupação de leitos é um reflexo desta nova fase.
Nesta quarta-feira a média móvel de mortes por covid-19 foi a mais baixa desde o dia 1º de março, de acordo com os dados do consórcio formado por O Globo, Extra, G1, Folha de S.Paulo e O Estado de São Paulo. Em uma redução de 19% em comparação com o cálculo de duas semanas atrás, a média móvel foi de 1.270 óbitos.
Na terça-feira (13) o Imperial College informou que a taxa de transmissão do vírus (rt) é a menor desde novembro de 2020. Ela caiu para 0,88. No relatório da semana anterior, o número era de 0,91. O índice atual indica que cada 100 pessoas contaminadas transmitem a doença para outras 88 pessoas. Quando fica abaixo de 1, a taxa de contágio indica tendência de estabilização.
A diminuição nas internações e mortes apontada pelo levantamento da Fiocruz, por sua vez, foi mais expressiva nos grupos prioritários, como idosos e pessoas com comorbidades, atestando que a vacinação é diretamente responsável pela melhora na situação. Ao mesmo tempo, a transmissão ainda permanece intensa entres aqueles que não foram imunizados.
Ainda de acordo com os pesquisadores, “é importante destacar que as vacinas disponíveis apresentam limites em relação ao bloqueio da transmissão do vírus, que continua circulando com intensidade. As vacinas são especialmente efetivas na prevenção de casos graves”. Por isso, recomendam “que sejam mantidas as medidas de distanciamento físico, uso de máscaras, cuidados com a higiene das mãos e que a população não deixe de se vacinar, conforme o calendário dos municípios”.
Ocupação de leitos
Tendências de queda no indicador de ocupação de leitos foram observadas em todos os Estados do Nordeste, Sudeste e Sul e também no Mato Grosso do Sul. Apenas quatro Estados da Região Norte (Rondônia, Amazonas, Pará e Tocantins) e Goiás apresentaram crescimento em relação ao boletim da semana anterior.
Quatro capitais estão com taxas de ocupação de leitos de UTI Covid-19 iguais ou superiores a 80%: São Luís (81%), Rio de Janeiro (81%), Goiânia (92%) e Brasília (80%).
Onze capitais estão na zona de alerta intermediário, com taxas iguais ou superiores a 60% e inferiores a 80%: Manaus (70%), Boa Vista (74%), Palmas (63%), Teresina (sem informação direta; número estimado em torno de 60%), Fortaleza (65%), Belo Horizonte (67%), São Paulo (61%), Curitiba (77%), Porto Alegre (69%), Campo Grande (79%) e Cuiabá (62%). As outras 12 capitais estão fora da zona de alerta, com ocupação de leitos de UTI inferior a 60%.
“A redução da pressão por internações nos hospitais também é uma oportunidade para retomar o atendimento ambulatorial e hospitalar de demandas que ficaram represadas ao longo da pandemia e programar as cirurgias que foram adiadas”, informam os pesquisadores no boletim.
A última vez que a pesquisadora da Fiocruz Margareth Portela viu todos os estados com ocupação de leitos de UTI Covid abaixo de 90%, foi em 23 de novembro de 2020. Agora, a responsável pelo levantamento celebra a melhora no cenário.
“Me sinto muito esperançosa com esses dados. Acompanhei cada semana quando o quadro estava pior, e agora em que cada semana temos um quadro melhor. Isso traz alento, mas também apreensões porque temos um vírus circulando ativamente”, diz Portela.
Ela reforça que a redução da pressão por internações nos hospitais também é uma oportunidade para retomar o atendimento ambulatorial e hospitalar de demandas que ficaram represadas.
A apreensão é compartilhada por outros especialistas. José Paulo Guedes Pinto, professor da Universidade Federal do ABC e coordenador do grupo de pesquisa Ação Covid-19, considera que, embora haja uma melhora real nos indicadores, seguimos com o maior número diário de mortes por dia, em um patamar muito mais elevado do que nos picos da pandemia no ano passado.
“A vacina diminui o número de óbitos, mas o de casos tende a aumentar. Até a situação estar mais regularizada, com vacinas melhores e mais gente vacinada, é preciso cautela no abandono das medidas de isolamento. Se o relaxamento for radical podemos voltar a ter surtos e isso pode sustentar a média móvel de mortes mesmo com a vacinação.”
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