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Economia Era de juros “superbaixos” no crédito imobiliário chega ao fim

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Juros do banco passou a ser de 8% ao ano até 8,99% ao ano mais TR em novembro de 2021. (Foto: Reprodução)

Depois de uma longa temporada de corrida dos bancos para baixar os juros do crédito imobiliário, o ciclo se inverteu. As instituições financeiras sobem as taxas dos novos contratos de financiamento, com a previsão de momentos mais difíceis para a economia brasileira.

Os maiores bancos privados do Brasil – Santander, Bradesco e Itaú Unibanco – decidiram aumentar as taxas cobradas no crédito imobiliário em cerca de 0,5 a 1,0 ponto porcentual, chegando perto de 8% ao ano.

A taxa média de juros dos financiamentos estava no patamar mais baixo da história do setor, em torno de 7% ao ano. Até uns anos atrás, a média girava em torno de 9% a 10%, o que reduzia consideravelmente o poder de compra da população.

A Caixa Econômica Federal – dona de dois terços do mercado de crédito imobiliário – e o Banco do Brasil também devem fazer movimentos na mesma direção, mas ainda não se manifestaram sobre o assunto.

A elevação dos juros do financiamento vai encarecer a parcela paga pelos mutuários em até 9%, aproximadamente. Um empréstimo de R$ 300 mil com prazo de pagamento de 360 meses no sistema de amortização constante (SAC) gerava uma parcela de R$ 2.529,57, com a taxa de 7% ao ano vigente até aqui. A partir de agora, essa parcela subirá para R$ 2.646,81 com taxa de 7,5% ao ano, ou R$ 2.763,54 com a taxa de 8% ao ano.

Alta prevista

A elevação dos juros para a compra da casa própria já era esperada, uma vez que os bancos acompanham o ciclo de alta da taxa básica de juros da economia, a Selic, que serve de referência para remuneração das cadernetas de poupança. Estas, por sua vez, são as fontes de recursos dos bancos para os financiamentos imobiliários.

Com a queda da Selic para os menores patamares da história nos últimos trimestres, os bancos também correram para cortar os juros dos financiamentos e atrair mais clientes. Agora esse movimento se inverteu. As instituições financeiras também acompanham as taxas de juros futuros, que embicaram para cima, por conta de vários fatores que enfraqueceram a economia, desde a inflação alta até as incertezas provocadas pela política nacional.

“Essa alta nas taxas é um movimento natural de mercado já esperado”, afirmou o diretor sênior de agência de classificação de risco Fitch Ratings, Cláudio Gallina. “Se tem aumento da Selic, sobe o custo de captação para os bancos. Então eles têm de reprecificar as suas operações de crédito.”

Mercado imobiliário

As vendas de imóveis surfaram a onda dos juros baixos e agora devem ter alguma desaceleração. O efeito, porém, não deve ter impacto tão grande para o setor, na avaliação do presidente da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias, Luiz França. Isso porque os juros ainda continuarão abaixo da média histórica – o que ajudará a manter o mercado aquecido por mais tempo. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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