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Mundo Médico brasileiro relata “pandemia entre os não vacinados” nos Estados Unidos com movimentos antivacina e nova alta de casos de coronavírus

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Público já pode comparecer a eventos esportivos, como os jogos da NBA, e máscara tem sido item dispensável pela população norte-americana, mesmo em aglomerações. (Foto: Reprodução)

Meses após relatar o alívio de receber a segunda dose da vacina contra a Covid-19 e comemorar os centros de imunização dos EUA lotados, o médico urologista Marcio Covas Moschovas, de 36 anos, diz que o país norte-americano está vivendo uma “pandemia entre os não vacinados”. Ele, que trabalha em um hospital oncológico, diz que os leitos voltaram a ser emprestados para tratar casos graves de coronavírus, assim como no início da pandemia.

Os Estados Unidos atingiram o maior número de novos casos de Covid-19 em seis meses na semana passada, de acordo com uma contagem da Reuters. O país superou as 100 mil infecções relatadas, em grande parte porque a variante delta se alastra por áreas onde as pessoas não foram vacinadas.

Marcio, que foi criado em Santos, no litoral de São Paulo, vive na Flórida há quase três anos. Ele trabalha no Advent Health Global Robotics Institute, hospital referência nacional e internacional para tratamento de câncer de próstata. Os leitos do hospital foram, novamente, emprestados para os casos mais graves de Covid-19. “Estamos reagendando cirurgias eletivas por conta disso”, conta.

“Em nosso centro, estatisticamente, 95% dos pacientes não são vacinados; 2% receberam pelo menos uma dose [da vacina] e 3% receberam as duas doses. Está voltando tudo com força e a gente não sabe o que vai acontecer”, desabafa. O médico relata que o movimento antivacina ganhou força nos últimos meses e que o país já soma 100 milhões de habitantes que não aderiram à campanha de imunização. “É quase um país dentro dos EUA que se recusa em vacinar”, diz o brasileiro.

Agonia

Ele conta que, há alguns meses, o Centro de Controle de Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA definiu que pessoas vacinadas não precisariam usar máscaras em locais compartilhados com outras pessoas imunizadas. “Só que os pacientes não vacinados adotaram essa regra também. Então, na maioria dos lugares que você vai hoje, não tem ninguém usando máscara”, diz. “Pessoas de máscaras são minoria”.

Devido à maior capacidade de transmissão da delta, o CDC voltou atrás e recomendou que pessoas vacinadas voltem a usar máscaras quando estiverem em ambientes fechados. A preocupação das autoridades tem sido o fim das férias. “O pessoal que não se vacinou foi para as férias. Ninguém usou máscara e agora explodiu [o número de casos]. Tá feio, muito ruim”. A sensação que fica, neste momento, é de “agonia”.

“Dá uma agonia. Porque quando começou a vacinação, começou a dar tudo certo […] ficou aquela sensação de não precisar ficar mais em casa. Agora, a gente não sabe os efeitos em longo prazo disso”, finaliza.

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