Domingo, 14 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 22 de novembro de 2015
Em Brasília, a mudança de ares no governo argentino é vista com cautela. Ninguém espera reabertura imediata. “O protecionismo não deverá continuar na mesma intensidade: a Argentina precisa atrair investimento estrangeiro. Mas, tanto Mauricio Macri, quanto Daniel Scioli, brigarão para proteger o mercado, nenhum deles é totalmente liberalizante”, disse uma fonte do governo brasileiro, sob anonimato.
Esse viés nacionalista que o próximo presidente herdará poderá influenciar também na negociação Mercosul-UE (Mercado Comum do Sul-União Europeia). O principal temor de empresários argentinos é perder mercados para seus produtos no Brasil e também ceder nacos do consumo doméstico, ainda elevado apesar da escassez de dólares na Argentina.
Venezuela
Uma eventual vitória de Macri poderá dar muita dor de cabeça ao Brasil no campo diplomático. O candidato já disse que, se eleito, pressionará o Mercosul a acionar a cláusula democrática contra a Venezuela e criticou as reeleições sucessivas do presidente da Bolívia, Evo Morales.
Neutralidade
O governo da presidenta brasileira Dilma Rousseff é simpático às políticas de Morales e do venezuelano Nicolás Maduro. De acordo com o analista Juan Tokatlian, as declarações de Macri inspiram mais temor não pelo conteúdo, mas pela forma. “Se ele concretizar esse gesto em relação à Venezuela, estará rompendo com a regularidade de consultas mútuas entre Brasil e Argentina antes de decisões desse tipo.”
Para Lohlé, se Scioli vencer, será mais confortável para o Brasil manter a neutralidade em relação à Venezuela. (Folhapress)
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