Terça-feira, 22 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 23 de agosto de 2023
O apresentador de TV Fausto Silva, o Faustão, não terá prioridade na fila de espera por transplante de coração por ser famoso ou rico. A informação é falsa. Uma publicação traz um trecho de entrevista do médico cardiologista Marcelo Sampaio ao programa “Morning Show” da Jovem Pan em que o especialista afirma que Faustão está em “prioridade máxima” e em “prioridade médica” na lista do transplante de coração. Após afirmar que mais de 65 mil pessoas estão aguardando um transplante de órgãos, o post questiona se o Hospital Albert Einstein, onde Faustão está internado, “consegue furar a fila”. O apresentador está internado no Albert Einstein, um dos principais hospitais privados do país, desde 5 de agosto por insuficiência cardíaca.
O Hospital Israelita Albert Einstein informou no dia 20 de agosto que o apresentador de TV Fausto Silva, de 73 anos, conhecido popularmente como Faustão, entrou na lista de espera administrada pela Secretaria de Estado de Saúde de São Paulo para realizar um transplante de coração. A notícia gerou repercussão nacional e diversos questionamentos sobre a lista, como a possibilidade de Faustão “passar na frente” de outros pacientes por ser famoso e rico.
Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil tem o maior sistema público de transplante do mundo. Todos os pacientes que precisam de um transplante de órgão devem ser incluídos na única lista de espera do país. Isso independe de o paciente estar internado em uma rede privada de saúde ou em alguma unidade do Sistema Único de Saúde (SUS).
A coordenadora do Sistema Nacional de Transplantes (SNT), Daniela Salomão, também explicou que a escolha do receptor do órgão a ser transplantado é feita pelo próprio sistema do Ministério da Saúde com base em critérios técnicos, que não incluem, por exemplo, o poder aquisitivo e a popularidade do paciente. Também não é possível o médico ou outro profissional da saúde selecionar o órgão e/ou o doador.
“A lista de transplante no país é única. Funciona para o público e para o privado. Não existe uma lista do público e uma lista do privado. Tanto que também não existe o doador do SUS e do privado. É uma lista única independente de onde o paciente está internado e os critérios técnicos são os mesmos para todo mundo”, disse.
Segundo dados do Ministério da Saúde, atualizados em 16 de agosto de 2023, 65.911 pessoas aguardam na lista para receber um órgão no país. Destas, mais de 36 mil esperam por um rim, 25,6 mil por uma córnea e 2,2 mil por um fígado. Até 21 de agosto, eram 378 pessoas esperando por um transplante de coração no Brasil. A maioria (206 pessoas) é de São Paulo.
A coordenadora do SNT, Daniela Salomão, explicou que o sistema é uma “lista muito dinâmica”, que pode ser alterada diariamente, sempre orientada por critérios técnicos. “A primeira coisa que precisamos é mudar nossa prática de comunicação. Parar de falar ‘fila’. O transplante não tem uma ordenação de fila – que é aquele um atrás do outro”, disse.
Para receber uma doação, o paciente precisa estar inscrito em uma lista de espera monitorada pelo SNT e por órgãos de controle federais. A inscrição é realizada por um médico com autorização vigente, concedida pelo SNT.
A lista de espera para transplantes no Brasil, segundo o Ministério da Saúde, é única e vale tanto para pacientes do SUS quanto para os da rede privada. Ela funciona por ordem cronológica de cadastro, ou seja, por ordem de chegada, mas também segue outros critérios como os de compatibilidade, gravidade do caso e o tipo sanguíneo do doador.
São esses fatores que são levados em consideração para a definição de quem deve ser priorizado. Eis abaixo algumas das situações de extrema gravidade com risco de morte e determinadas condições clínicas do paciente que permitem o acesso mais rápido ao transplante:
– a impossibilidade total de acesso para diálise (filtração do sangue), no caso de doentes renais;
– a insuficiência hepática aguda grave, para doentes do fígado;
– necessidade de assistência circulatória, para pacientes cardiopatas; e
– rejeição de órgãos recentes transplantados.
A coordenadora do SNT reforçou que o processo funciona de acordo com as regras (com base em critérios técnicos) e que nenhum paciente pode ser privilegiado.
“Não é o plantonista do dia, não é a equipe de transplante (que irá decidir o receptor). Ninguém entra no sistema para mudar ou para, de alguma forma, privilegiar algum paciente. As regras são claras, são regras técnicas, publicadas em portaria”, disse. A portaria citada por Salomão é a Portaria de consolidação nº 4, de 28 de setembro de 2017, que aprovou o Regulamento Técnico do Sistema Nacional de Transplantes.
Não existe priorização de pessoas famosas e/ou de classe alta, como é o caso de Faustão. “O sistema de transplante brasileiro tem regras muito claras e a informação sobre poder aquisitivo ou popularidade da pessoa na sociedade não são critérios técnicos utilizados pelo sistema”, disse a coordenadora do SNT. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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