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Geral Saída para crise argentina? Ex-economista do FMI sugere que o país vizinho adote o real e não o dólar. Veja as reações

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Economistas críticos à dolarização dizem que a diferença de ciclos econômicos é um dos riscos da medida. (Foto: Reprodução)

“Suíça da América Latina”, “Bric do futuro”, “superpotência agrícola” são algumas das frases de efeito do economista alemão Robin Brooks para definir seu otimismo com a economia brasileira nos últimos meses. A confiança é tanta que, no último dia 22, Brooks sugeriu que atrelar o peso ao real pode ser uma melhor saída para a Argentina do que a dolarização.

Economista-chefe do IIF, entidade global que representa os bancos, Brooks mantém uma visão positiva sobre o Brasil há anos. Usuário frequente do Twitter, com 266 mil seguidores, o economista costuma publicar análises econômicas curtas, quase sempre ilustradas por gráficos e frases de efeito.

No Brasil, Brooks viralizou e virou meme, sob o bordão “in careca we trust”, algo como “no careca nós confiamos”, uma brincadeira com as projeções de Brooks para o real – especialista em câmbio, ele já trabalhou no Goldman Sachs e no Fundo Monetário Internacional (FMI).

Brooks sustenta que a cotação justa do dólar por aqui seria de R$ 4,50. Haveria motivos estruturais para a taxa de câmbio cair, como, principalmente, a consolidação do Brasil como grande exportador de soja, milho e petróleo. Isso impulsiona o crescimento econômico, fortalece o real perante o dólar e favorece a queda nos juros.

“A década perdida do Brasil acabou. O crescimento real do PIB voltou onde estava uma década atrás. Talvez nunca tenha havido nada realmente ‘errado’ com o Brasil. O Brasil é um exportador de commodities. Os preços globais de commodities colapsaram em 2014, atingindo o Brasil. Esse choque está acabando, e o Brasil está de volta”, postou Brooks, no último dia 3.

A Argentina ganhou espaço nas postagens do economista do IIF após o surpreendente sucesso do candidato libertário Javier Milei nas eleições primárias do país vizinho, no último dia 13. Para enfrentar a inflação de 100% em 12 meses, uma das principais propostas de Milei é extinguir o peso e colocar o dólar no lugar, plano controverso, mas que parece combinar com o perfil antissistema do candidato.

Dias após o pleito, Brooks chamou o plano de “ideia terrível”. Segundo os comentários do economista, a saída para conter a inflação de 100% na Argentina seria um forte ajuste, equilibrando as contas do governo. Uma recessão poderia ser necessária, escreveu.

Até que Brooks juntou as críticas ao plano de Milei com os elogios ao Brasil. “Se a Argentina quer tanto uma paridade cambial – a dolarização, afinal, é só uma paridade –, que pareie com o Brasil. O Brasil é um exportador de commodities (como a Argentina), tem grandes superávits comerciais (diferentemente da Argentina) e tem um Banco Central com muita credibilidade (diferentemente da Argentina). Tal paridade poderia funcionar para a Argentina”, escreveu Brooks no Twitter.

Emilio Ocampo, professor da Universidade do Centro de Estudos Macroeconômicos da Argentina (Ucema) integrado à equipe de assessores de Milei para capitanear a proposta de dolarização, disse ao jornal O Globo que a sugestão de Brooks é “uma péssima ideia”.

“Os argentinos já têm dólares e não pensam em trocá-los por reais. Ademais, o real está se apreciando. Como se fosse pouco, o Banco Central do Brasil, por razões óbvias, não vê com simpatia a proposta, por risco de contaminação potencial”, disse Ocampo, em mensagem por escrito.

Dolarizar vai funcionar?

Mas, segundo economistas críticos à dolarização, a diferença de ciclos econômicos é um dos riscos da medida. Sem moeda própria, a Argentina não poderia mais fixar a taxa básica de juros, passaria a seguir os juros do Fed, o banco central americano.

Como os ciclos da economia argentina não acompanham os da economia americana, se algum problema provoca uma recessão na Argentina, não seria possível baixar juros para aquecer a economia. Se o Fed (banco central americano) sobe os juros por algum motivo local dos EUA, a economia argentina esfriaria, mesmo que já estivesse estagnada.

Por outro lado, os ciclos econômicos da Argentina tendem a ser mais parecidos com os do Brasil, afinal, “os dois lugares comercializam bastante um com o outro e ambos são exportadores de commodities”, explicou Brooks.

“Se os preços de commodities tombarem, será um choque negativo para os dois países. A Argentina depreciaria (a moeda em relação ao dólar) junto com o Brasil. Se a Argentina está atrelada ao dólar, isso não poderá acontecer”, continuou o economista, ao reagir a um dos comentários na postagem original.

Já os comentários sarcásticos ficaram sem resposta. “Não tem como parar a Suíça da América do Sul!! Sai da frente que o Brasil tá (sic) passando”, escreveu um usuário, em português mesmo. “Eles (os argentinos) farão isso assim que o real atingir sua meta de R$ 4,50 (por dólar), Robin-san (sic)”, disse outro, dessa vez em inglês. “Realization!”, brincou outro. As informações são do jornal O Globo.

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