Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 28 de setembro de 2023
Quase todos os aspectos da vida do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump têm entrado no escrutínio do Judiciário, o que produziu indiciamentos e uma acusação de abuso sexual cometido por ele décadas atrás. Mas a decisão desta semana, de um juiz do Estado de Nova York, considerando que Trump cometeu fraude ao inflar o valor de seus imóveis, afeta a identidade que o tornou conhecido e lançou sua carreira política.
Ao qualificar Trump como fraudador, a decisão do juiz Arthur Engoron minou a narrativa do ex-presidente enquanto um mestre dos negócios, o personagem que ele usou para se enredar na tessitura da cultura popular dos EUA e lhe conferiu estatura e recursos para chegar à Casa Branca.
A decisão foi o mais recente desdobramento a testar a resiliência de Trump, que tenta disputar a eleição apesar do peso das evidências contra ele. As acusações de tentar reverter o resultado da eleição, na esfera federal e no Estado da Geórgia, o retrata como uma ameaça à democracia.
O processo sobre a retenção de documentos secretos retrata um homem disposto a obstruir a Justiça para acobertar um desrespeito à lei. Uma acusação em Nova York que decorre de pagamentos pelo silêncio de uma atriz pornô apresenta evidências do tipo de trapaça política.
Até aqui nenhum desses casos prejudicou a campanha de Trump. Pesquisas mostram que os indiciamentos consolidaram seu apoio entre os republicanos e aumentaram a arrecadação de doações de campanha.
A decisão desta semana, porém, tem impacto na imagem pública de Trump e seu império empresarial. O ex-presidente encara a perspectiva de ter de pagar US$ 250 milhões em reparações e perder propriedades, como a Trump Tower.
O advogado do ex-presidente Christopher Kise afirmou que a decisão é “ultrajante” e disse que vai apelar. Trump, em um extenso post em sua rede social, afirmou que a decisão que o qualifica como fraudador é “ridícula e inverídica” e classificou-a como um ataque político.
Sempre que encurralado, Trump apelou para fanfarronices, vociferando exageros ou mentiras para escapar. Esses métodos lhe serviram bem na arena empresarial e política, nas quais o preço pago por faltar com a verdade é baixo. No entanto, essa estratégica têm sido menos eficaz nas cortes, que operam segundo padrões rígidos de veracidade.
A segunda arma favorita de Trump – intimidar adversários – também não tem funcionado nos tribunais. Neste mês, procuradores solicitaram uma ordem de silêncio, citando ataques em redes sociais contra pessoas envolvidas no julgamento.
Trump ignorou um aviso preliminar da juíza Tanya Chutkan para ser cauteloso sobre o que dissesse a respeito de testemunhas, promotores e jurados. Mas, se ele pensou que seria fácil driblar as advertências, os promotores revelaram seu blefe e as declarações de Trump podem ser restringidas no meio da campanha. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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