Segunda-feira, 28 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 29 de dezembro de 2023
A primeira oferta de uma nova modalidade de títulos do Banco Central da Argentina, criada para quitar dívidas de importadores do país com fornecedores no exterior, foi um fiasco. No primeiro revés no mercado financeiro para o recém-empossado presidente do país, o ultraliberal Javier Milei, o BC argentino conseguiu vender apenas US$ 68 milhões de um total de US$ 750 milhões oferecidos. Somente 34 importadores fizeram lances pelos bônus.
O fracasso neste leilão mostra as dificuldades que a Argentina terá para reorganizar seu mercado de importações e ocorre após Milei ter conseguido fazer uma desvalorização relativamente bem-sucedida do peso, emitido um volume recorde de títulos em moeda local e aumentado as reservas internacionais do país.
A primeira derrota do novo presidente argentino nos mercados pode dificultar ainda mais seus planos para segurar a inflação. A emissão desses títulos ajudaria a absorver o excesso de pesos em circulação no país e, assim, ajudar a controlar a alta de preços, que já supera os 160% em termos anuais.
Os importadores argentinos devem nada menos do que US$ 30 bilhões no exterior e quitar essa dívida é um passo importante para que o país consiga remover os complexos controles sobre o comércio exterior herdados do governo anterior. Liberar a economia foi a principal promessa de campanha de Milei.
Em um comunicado, o BC afirmou confiar que, nos próximos leilões deste tipo, “o volume de participação aumentará”, à medida que o banco “continua esclarecendo os processos operacionais e a documentação necessária”.
As autoridades monetárias planejam realizar dois leilões por semana até o fim de janeiro de 2024.
Dolarização
Especialistas explicam que a venda de títulos deste tipo faz parte de uma estratégia maior para unificar as taxas de câmbio. Sem isso, ficará difícil para o país adotar, no futuro, a dolarização prometida por Milei durante a corrida eleitoral.
“O instrumento é muito importante para a unificação da taxa de câmbio na Argentina, pois ajuda a normalizar os estoques de dívidas dos importadores e serve como um mecanismo para absorver pesos da economia”, explicou Pedro Siaba Serrate, economista sênior da PP Inversiones em Buenos Aires.
“Se o governo quiser alcançar a unificação da taxa de câmbio, isso deveria funcionar melhor”, acrescentou.
Os títulos denominados em dólares, chamados “Bopreal” – que significa “títulos para a reconstrução de uma Argentina livre” – oferecem uma taxa de juros anual de 5% e têm como objetivo “proporcionar previsibilidade aos pagamentos associados ao estoque de dívida comercial dos importadores”, segundo o Banco Central.
Uma crônica escassez de dólares e controles de capital rigorosos durante o governo anterior do presidente Alberto Fernández acumularam bilhões em pagamentos em atraso, endividando os importadores e criando um gargalo no comércio.
Antes que o BC argentino suspenda todos os controles financeiros de Fernández, os importadores precisam liquidar suas dívidas no exterior para equilibrar o fluxo cambial no país.
Os títulos “oferecerão uma solução ordenada para resolver a crise gerada pelo acúmulo de dívidas comerciais de importadores em níveis inadministráveis a curto prazo”, afirmaram os técnicos do BC em um comunicado.
Esses títulos poderiam ser pagos em moeda local, o que, por sua vez, ajudaria o BC a retirar de circulação pesos da economia na tentativa de amenizar a inflação elevada. As informações são da agência de notícias Bloomberg.
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