Domingo, 07 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 5 de março de 2024
No Haiti, o sistema penitenciário entrou em colapso no domingo (3), quando gangues tiraram da cadeia mais de 3.500 presos. Na segunda-feira (4), grupos armados tentaram invadir o Aeroporto Internacional.
Em Porto Príncipe, capital do Haiti, os barulhos da cidade se calaram. Há dias, o que mais se ouvem são tiros. Corpos nas ruas mostram o grau da violência. A ONU estima que mais de 300 mil pessoas tiveram que deixar suas casas em meio ao conflito armado entre policiais e gangues. Pelo menos 5 mil pessoas foram assassinadas no país em 2023 – só em janeiro de 2024, foram 800 mortos.
No fim de semana, membros de gangues armados invadiram as duas maiores prisões do país. Pelo menos 12 pessoas morreram e cerca de 3,7 mil presos fugiram. Neste domingo, o governo declarou 72 horas de estado de emergência e toque de recolher, um esforço para recuperar o controle das ruas.
Segundo um funcionário de um dos presídios, 100 detentos decidiram não fugir por medo da violência. Entre eles, os ex-soldados colombianos presos pelo envolvimento no assassinato do então presidente Jovenel Moïse, em 2021. Um detento conta que foi acordado com disparos e, agora, é o único na cela dele, que antes tinha dezenas de homens.
O chefe de uma das principais gangues na capital é Jimmy Cherizier, um ex-policial. Ele diz que o caos na cidade busca derrubar o governo de Ariel Henry. Ele é alvo de sanções das Nações Unidas e do Tesouro americano.
Os ataques se intensificaram depois que o presidente haitiano viajou ao Quênia, na África, para pedir ajuda. Ariel Henry assinou um acordo para que forças quenianas ajudem a combater a violência no Haiti com o apoio da ONU. Henry governo o Haiti interinamente desde o assassinato de Moïse há três anos.
Com a escalada da violência, os Estados Unidos, assim como vários outros países, pediram aos seus cidadãos para deixarem o Haiti assim que possível. O Departamento de Estado disse, na segunda-feira, que monitora de perto a situação. O porta-voz Matthew Miller disse que: “A violência ressalta a urgência que temos em organizar uma missão multinacional de apoio à segurança para ajudar a polícia nacional do Haiti a restabelecer a ordem”.
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