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Celebridades Padre Marcelo Rossi não é gay nem anoréxico

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No ano passado, o religioso postou foto comparativa que deu o que falar. (Foto: Reprodução/Instagram)

Em 1999, a Time e a CNN incluíram o padre Marcelo Rossi entre os 50 latino-americanos que liderariam o novo milênio. A revista e o canal de TV americanos se impressionaram com aquele “padre dançante” que dividia espaço com paquitas de microshort no programa da Xuxa e que, na missa, jogava baldes de água benta nos fiéis.

O padre foi um dos 15 brasileiros em uma lista que juntou de Carlinhos Brown ao banqueiro Pedro Moreira Salles. “Não será surpresa se, um dia, o moço da ‘aeróbica do Senhor’ chegar a ser papa, tamanho é seu carisma”, previram os estrangeiros. Nos anos seguintes, o católico escreveu best-sellers como “Ágape” – foi um sucesso de vendas. Em 2014, vendeu mais discos que o cantor Roberto Carlos.

No fim de ano, chegam às livrarias duas biografias sobre o homem que, cantando refrões como “erguei as mãos e dai glória a Deus”, reconduziu multidões à Igreja Católica – e, por tabela, passou a conviver com o pouco eclesiástico rótulo de “padre popstar”.

Pelos títulos, vê-se logo que os escritos, apesar de não autorizados, são simpáticos ao cura. Ambos são assinados por jornalistas: “Uma Vida Dedicada a Deus” (Heloisa Marra) e “A Superação pela Fé” (Edison Veiga). Não se furtam, contudo, de mostrar o homem por trás da batina. Anorexia e depressão são algumas das feridas tocadas.

Os livros falam sobre sua inveja ao ver “todo mundo crescendo”, menos ele, na faculdade de educação física que fez em São Paulo – daí unir fisiculturismo e anabolizantes. Isso antes de cogitar o sacerdócio, após participar de um evento carismático chamado Rebanhão.

Sobre um homem que se sente alvo de inveja, o que teria agravado seu quadro de depressão, Rossi atribui ao olho gordo as mortes “do nada” do cão da raça fila que ganhou de um amigo e do dogue alemão presenteado por Xuxa.

Onipresente.
Os livros citam ainda sua superexposição na virada do século. Na época, o padre estava em todas. Foi capa das principais revistas de entretenimento do País. Ia do Planeta Xuxa ao SBT Repórter – onde disse que “se Jesus vivesse hoje estaria nos meios de comunicação”. Também no SBT, em 2002, no programa do Gugu, teria exigido que o ator transformista Jorge Lafond (da personagem Vera Verão) saísse do palco para poder entrar.

O padre não quis dar entrevista “porque não leu e nem pretende ler” as biografias a seu respeito, segundo sua assessoria de imprensa. Sua reclusão midiática se acentuou há uns anos. “Em 1999, me expus tanto que fui eleito mala do ano. […] Reconheço que exagerei”, disse a uma revista.

“Minha proposta sempre foi fazer uma grande reportagem”, diz Heloisa Marra. Ela não entrevistou o padre, mas falou com dezenas de pessoas do seu entorno, do cineasta Moacyr Goés (de “Maria, Mãe do Filho de Deus”, em que Rossi interpreta o anjo Gabriel e ele mesmo) ao cantor Belo (parceiro em músicas como “Noites Traiçoeiras”).

O acidente na esteira ergométrica, ponto crucial na trajetória do padre, é destaque nos dois livros. Eram 4h de 29 de abril de 2010. Seu time, o Corinthians, tinha perdido de 1 a 0 para o Flamengo e sido eliminado da Libertadores. Ele perdeu o sono e decidiu correr. No fone, “Sunday Bloody Sunday”, do U2 – Rossi lista a banda como uma de suas preferidas. Sentiu vertigem, pisou em falso e lesionou o tornozelo. Dias antes, fora convidado para conhecer Bento 16 no Vaticano. Para poder ir à Roma, recorreu a um tratamento pesado, que o fez engordar 40 quilos e ficar na cadeira de rodas por três meses.

Depois emagreceu tanto que a internet foi tomada por suspeitas que iam de anorexia (verdadeira) e aids (falsa). Ele chegou a emagrecer cerca de 60 quilos. “Eu cheguei a 120 quilos e o meu normal é 85 quilos. Sabe quando você quer cada vez mais? E detalhe: foi aí que percebi que estava doente. Hoje, até diria que foi anorexia. Eu olhava para o espelho e me via como estava antes. Parei e pensei que alguma coisa estava errada. Foi aí que comecei a lutar“, detalhou.

O padre explicou que fez uma “dieta maluca, só alface e hambúrguer”. Seu novo livro, “Ruah” (ainda em pré-venda), remete à sua fixação com hábitos alimentares. “Quebrando os paradigmas de que gordura é saúde e magreza é doença”, diz a capa. (Folhapress)

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