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Política Jornalista que acusou o clã Bolsonaro e virou procurada do FBI trava batalha por “stalking” na Justiça

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Patrícia Lélis (D), considerada foragida pelos EUA, teria perseguido uma investidora por meio de postagens nas redes sociais. (Foto: Reprodução/Instagram)

A jornalista Patricia Lélis, de 31 anos, considerada foragida pelo FBI após acusações de golpes financeiros, e a investidora paulistana Janaina de Toledo, de 30 anos, movem processos uma contra a outra com alegações similares no Tribunal de Justiça de São Paulo. Cada uma acusa a desafeta de “stalking” (ou perseguição), e ambas pedem indenização por danos morais devido a postagens ofensivas nas redes sociais.

Janaina ainda não havia contado detalhes do caso publicamente. Ela afirma que Lélis a teria perseguido durante quatro anos, por meio de postagens difamatórias nas redes sociais — a jornalista soma quase 700 mil seguidores no Twitter e Instagram. As postagens diziam que Janaina supostamente trabalhava para o “gabinete do ódio”, propagava fake news, era ligada à família Bolsonaro, praticava prostituição, perseguição e ameaçava Lélis — o que a investidora nega. Os posts foram derrubados das redes sociais, a pedido da Justiça.

Lélis, por sua vez, ainda reitera as acusações que fez nas postagens derrubadas. Ela afirma que recebeu nos últimos anos áudios e mensagens da investidora com ameaças, o que é negado por Toledo.

No processo que Lélis move contra Toledo, a Justiça negou em setembro de 2023 o pedido de indenização feito pela jornalista, porque concluiu que as ofensas trocadas nas redes sociais nos últimos anos foram mútuas. A defesa de Lélis recorreu.

Já no processo que Toledo move contra a jornalista, a última decisão, de fevereiro de 2024, determinou que posts das redes sociais de Lélis com acusações contra a investidora fossem retirados do ar. A defesa de Toledo pleiteia ainda uma indenização por danos morais, mas Lélis ainda não foi localizada pela Justiça no processo.

Lélis atualmente é procurada pelo FBI. A Justiça Federal dos Estado Unidos anunciou em janeiro deste ano que a brasileira é acusada de se passar falsamente por advogada de imigração e fraudar clientes em cerca de R$ 3,4 milhões em território norte-americano.

O Judiciário dos EUA afirma que, na última atualização do caso, Patrícia ainda não foi localizada pelo FBI para prestar depoimento. Ela afirma que é “vítima de perseguição política” no caso.

Lélis se tornou notícia em 2016, após acusar o deputado federal Marcos Feliciano (PL-SP) de estupro. O caso acabou encerrado porque a polícia concluiu que não havia elementos que corroboravam com a acusação. Em outra denúncia, de 2017, a jornalista acusou o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), com quem já teria tido um relacionamento, de ameaçá-la, mas o processo também acabou encerrado.

Cartomante

Janaina de Toledo afirma que conheceu Patricia Lélis pelas redes sociais, em 2018. A investidora paulistana, que atualmente mora nos Estados Unidos, diz que mandou mensagens para Lélis em meio às denúncias que a jornalista fez contra o deputado Marco Feliciano.

“Comprei a narrativa de que ela era vítima de violência sexual. Saímos pela primeira vez em Minas Gerais, notei que ela tinha histórias muito mirabolantes, que não faziam sentido. Tomei a decisão, infelizmente, de abrir muitos tópicos da minha vida pessoal”, diz Toledo.

O relacionamento teria azedado após Lélis supostamente tentar aplicar um golpe. Ela teria indicado uma cartomante para a então amiga, por conta das dificuldades que Toledo enfrentava. Na versão de Toledo, quem supostamente conduziu a consulta online foi a própria jornalista, que nega a acusação.

As duas teriam se afastado depois do ocorrido. Depois disso, a jornalista teria começado a fazer posts caluniosos contra Janaina, divulgando dados pessoais da investidora, a acusando de crimes e incitando seus seguidores contra a mulher.

“Ela divulgou o meu número de telefone e veio muita gente me ameaçar. Pegou a foto do meu WhatsApp e começou a dizer que eu era prostituta. Ela entrou contra dois processos contra mim, teve um ponto que eu perdi a paciência e comecei a expor ela (nas redes sociais)”, diz Toledo, que nega que tenha qualquer ligação com atividades de prostituição.

Em janeiro, a Justiça determinou a remoção de posts que faziam menção a Toledo. A investidora tenta ainda uma indenização por danos morais, mas a Justiça não conseguiu intimar a jornalista para prestar esclarecimentos sobre o caso.

“Todos os endereços em que tentam encontrá-la são inócuos”, diz a advogada Priscila Cortez de Carvalho, do escritório Cortez de Carvalho e Furegate.

“Hoje lido com crises de ansiedade, stress pós-traumático, tive muita queda de cabelo. Mas a maior consequência é a falta de confiança que eu tenho nas outras pessoas. Vivo em constante estado de alerta, é horrível, não é uma vida normal”, diz Toledo.

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