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Notícias Cientista político Carlos Melo analisa o cenário do País e suas perspectivas para vencer a crise

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Carlos Melo. FOTOS: LUCAS UEBEL

O cientista político Carlos Melo, mestre e doutor pela PUC/SP, com participação ativa em vários veículos de comunicação e consultor de empresas nacionais e internacionais,  foi convidado pela Braskem para  debater  o cenário político do País, em encontro promovido pela empresa nesta quinta-feira (28), no  British Club, em Porto Alegre. Ele mencionou a crise que vive o Brasil, definindo-a como sendo “monumental” e com raízes mais antigas. “Como chegamos até aqui?” Na avaliação do analista político, o problema não é decorrente apenas da inabilidade da presidente Dilma Rousseff, mas também de um esgotamento estrutural, com um presidencialismo de colisão, com 25 mil cargos para serem distribuídos entre os partidos, o que se repete a cada eleição. “Esta aliança raramente é feita em bases muito concretas. Os 25 mil cargos se esfarelam e entram nas jóias da coroa”. A partir deste momento, Carlos aponta que os favores passam a nortear empresas estatais  e acontece o que estamos vendo com a Petrobras, por exemplo. O problema fica mais aparente em mandatos longos, como é o caso do PT. No primeiro mandato iniciaram as distribuições de cargos, no segundo a continuidade, porém com menos recursos. Já no terceiro teve início o colapso, com reivindicação de mais e mais e sem muito a oferecer. No quarto mandato, “não tem mais nada para dar”.  Este é o quadro que vivenciamos hoje.

Segundo ele, a presidente Dilma também se perdeu, com um erro atrás de outro e sem fazer a leitura correta da conjuntura. O processo de impedimento da presidente em 2015 demonstrava seguir um rumo, agora em 2016 já demonstra outro rumo e a incerteza também abala a confiança no País.  “O impedimento implica em um abalo. Vale a pena, existem provas contra a presidente, Temer seria a solução?” Estas questões precisam ser analisadas, segundo ele.

A solução para a melhoria do cenário político/econômico, na visão de Carlos Melo,  é a quebra deste ciclo vicioso, com necessidade de recuperação da credibilidade do País , mudanças nas questões fiscais, entre outros itens. Para tanto seria preciso que a presidente tivesse uma agenda firmada, o que ele não acredita. “É preciso ter claro qual a agenda”, além de um maior poder de comunicação por parte da presidente. “Um dos maiores erros da presidente Dilma foi o discurso pós posse. O Brasil saíu das urnas muito dividido e hoje temos a consciência de que nada está bem. Não discutimos mais previdência, tributos, sistemas políticos, o problema do endividamento”. O Brasil, segundo o analista político, vai sair da crise mas o processo é lento e precisa de muito debate junto à sociedade. “Hoje, faltam lideranças políticas. Com calma é possível construir muita coisa, é um ciclo que se encerra e outro que está por iniciar. Entre um e outro existe um vazio que causa muita ansiedade. É preciso sentar, discutir e conversar é bom para o País”.

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