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Economia Tarifas de Trump sobre o Brasil já impactam os preços do café e do suco de laranja

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Os EUA respondem por cerca de 40% das exportações de suco de laranja do Brasil e 16% dos embarques de café do País. (Foto: Reprodução)

As tarifas de 50% do presidente americano Donald Trump sobre as commodities produzidas pelo Brasil afetaram os mercados agrícolas, o que levou a uma queda expressiva nos preços do suco de laranja e uma alta nas cotações do café.

Os contratos futuros de suco de laranja para entrega em setembro caíram no limite de 25 centavos de dólar, em recuo de 8,8%, para US$ 2,6015 a libra-peso na ICE Futures. Já o café arábica subiu até 3,5%, para US$ 3.036 a libra, antes de recuar ligeiramente para US$ 2,971 a libra-peso às 10h44 (horário de Nova York).

A ordem executiva de Trump inclui algumas isenções significativas, como o suco de laranja. Ainda assim, a carne bovina e o café do maior exportador mundial destes produtos permanecem na lista de commodities que estarão sujeitas a impostos de importação.

“O mercado reagiu à notícia de que o café não está na lista de isenções e, em teoria, estará sujeito a tarifas. Ainda há incerteza sobre uma possível isenção, mas, por enquanto, é um sinal de alta para os futuros de Nova York e significa custos mais altos para o café nos EUA”, disse Fernando Maximiliano, analista da StoneX.

Os EUA respondem por cerca de 40% das exportações de suco de laranja do Brasil e 16% dos embarques de café do País. Embora a China seja o maior mercado para a carne bovina brasileira, as exportações para os EUA têm crescido, já que o rebanho americano encolheu para o menor nível em 73 anos.

Mesmo antes do anúncio de quarta-feira, a expectativa de tarifas já impactava as exportações de café. Importadores dos EUA pediram o adiamento dos embarques do Brasil, segundo fontes familiarizadas com os contratos, que pediram anonimato por se tratar de negociações privadas.

O impacto já é visível nos dados. O Brasil embarcou apenas 2,4 milhões de sacas de café para todos os mercados neste mês até 29 de julho. Isso se compara a 3,8 milhões de sacas em todo o mês de julho de 2024, segundo dados do Cecafé, o grupo do setor. O país está no meio da colheita de café, então a oferta é abundante.

As tarifas também afetam o mercado de carnes. A associação do setor Abiec afirma que algumas fábricas interromperam a produção de itens normalmente enviados para os EUA. As importações dos Estados Unidos de carne bovina do Brasil caíram 23% neste mês até 27 de julho, de acordo com dados da Alfândega do país, compilados pela IHS Markit.

As autoridades brasileiras continuam a pressionar para obter mais isenções tarifárias. O Cecafé e a National Coffee Association dos Estados Unidos disseram que também trabalham para este objetivo.

O café não é produzido no território continental dos EUA, e o secretário de Comércio do país, Howard Lutnick, disse em uma entrevista à CNBC na terça-feira que produtos não produzidos nos EUA poderiam ser isentos de tarifas conforme acordos comerciais fossem firmados.

“O bom senso tem que prevalecer, e acredito que isso vai acontecer. Mas eles simplesmente não estão facilitando para chegar a esse ponto, só isso. E isso cria uma enorme ansiedade”, disse Judy Ganes, presidente da J. Ganes Consulting, sobre a tarifação do café. As informações são da agência de notícias Bloomberg.

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