Sábado, 29 de novembro de 2025
Por Redação O Sul | 28 de novembro de 2025
O presidente da França, Emmanuel Macron, disse na quinta-feira (27) a uma delegação de empresários e políticos brasileiros que a posição de seu país está mais flexível com relação ao acordo comercial entre União Europeia (UE) e Mercosul, mas que ainda são necessários ajustes para que o acerto seja finalizado.
A posição foi externada em reunião organizada pelo ex-governador João Doria, que durou cerca de 1h30min na sede do governo francês, o Palácio do Eliseu, em Paris.
Participaram cerca de 60 empresários e políticos, como o ex-presidente Michel Temer e os senadores Eduardo Gomes (PL-TO) e Efraim Filho (União-PB), que foram à cidade para participar de um fórum de investimentos organizados pelo grupo Lide, fundado por Doria.
Segundo relato do ex-governador, Macron disse que, diante das novas circunstâncias da economia global, vê o acordo entre os blocos com bons olhos. Embora não tenha mencionado, deixou implícito que se referia às políticas comerciais protecionistas do presidente americano, Donald Trump.
A posição de Macron contrasta com declarações feitas no final de semana pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que prometeu assinar o pacto com os líderes europeus no dia 20 de dezembro, em cerimônia a ser realizada no Brasil.
“O acordo com o Mercosul é, na verdade, um acordo velho que negociamos ao longo de 20 anos. Por causa disso, ele não é satisfatório e precisa ser melhorado. O acordo não leva em consideração os avanços que tivemos nesse tempo, especialmente em relação às mudanças climáticas”, afirmou o líder francês.
Uma das presentes à reunião, a ex-ministra da Agricultura Kátia Abreu disse que não ficou satisfeita com a fala do presidente, que, segundo ela, revela uma posição de protecionismo do governo francês em relação ao competitivo agronegócio brasileiro.
Segundo Kátia Abreu, quem fez a pergunta a Macron sobre as negociações envolvendo a União Europeia e o Mercosul foi o diretor de Relações Institucionais da Vale, Kennedy Alencar.
O executivo da Vale também perguntou ao presidente francês se ele acreditava que o acordo seria assinado no dia 20 de dezembro, como afirmou Lula.
“Isso não depende de mim”, disse o presidente francês – que é um dos líderes mais refratários da União Europeia ao acordo.
Ele acrescentou, no entanto, que os dois lados estão trabalhando duro para tentar concretizar o acordo, embora muitas reuniões ainda sejam necessárias.
Macron afirmou ainda que o pacto com o Mercosul precisa ser aprimorado em pelo menos três aspectos.
Em primeiro lugar, seriam necessárias salvaguardas para proteger mercados que eventualmente sejam impactados negativamente pela concorrência de produtos de um dos blocos.
“Neste caso, precisaríamos aplicar um freio” para ajudar determinados setores, disse ele.
O segundo ponto está relacionado à necessidade de setores econômicos dos dois lados atuarem sob regras convergentes.
Macron deu como exemplo o próprio agro, afirmando que os produtores europeus são proibidos de utilizar determinados pesticidas que podem ser liberados no Mercosul – o que não seria justo, disse.
Por fim, seria necessário implementar um mecanismo que garanta que os dois lados estão cumprindo tudo o que foi negociado.
Luiz Fernando Furlan, acionista da MBRF e chairman do Lide, atuou como porta-voz do grupo de empresários e afirmou que as declarações de Macron não representam novidade para o Mercosul, avaliando que há espaço para convergência após 22 anos de negociações.
“A posição dele é muito positiva”, disse. As informações são do jornal Folha de S.Paulo e da CNN.