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Colunistas Causas e consequências

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(Foto: Arquivo/PC-BM)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

Já faz algum  tempo, ouvindo  entrevista com  uma  autoridade de segurança pública estadual,  todos, incluindo o entrevistador, comemoravam a drástica redução no roubo de veículos em uma determinada região de Porto Alegre, a redução foi motivada pela  instalação de sistemas de vigilância e monitoramento por câmeras de vídeo.

 Inobstante a boa iniciativa, fiquei imaginando um  diálogo entre os ladrões que atuavam na região:

  • E agora ? Como vamu fazê ?

Indaga um dos ladrões ao outro, e a resposta :

  • “Se ferremu parça”! Vamos ter que arrumar emprego de carteira assinada, CLT.

O suposto diálogo aparentemente jocoso  é uma triste ironia.

Sabemos que o crime  irá migrar para outra região ou para outro tipo de roubo ou furto.  Quem  comete crimes , pensa e caminha.

Via de regra, o foco das ações públicas são  nas consequências , ao invés de atacar as causas do problema.

  A segurança pública é o termômetro  principal  da  qualidade de vida, e certamente é a  que mais sofre o desgaste político.

Antes de ser um problema da segurança pública, o problema já havia  migrado de  outra área.

 Volto a repetir, Isso acontece pela  nossa mania de querer resolver  consequências.

Qualquer ação que seja  baseada no combate às consequências , traz  consigo invariavelmente a única alternativa de escolha –  a menos ruim –  jamais a  melhor!

As causas dos desajustes sociais (as vítimas) são  intocáveis,  e até defendidas por autoridades públicas.

Bandidos  estão cada vez mais organizados e infiltrados, gerando problemas cada vez mais difíceis  de solucionar.

Quando se trata de atacar nas causas   temos um arsenal de argumentos desanimadores :

Do menor esforço:

  • iíiiiii…. deixa quieto!

 Do conformado:

  • Ah !!… mas  sempre  foi assim…

Da intimidação :

  • Tu  vai só te incomodar…

Do lacrador :

  • Não tens mais  nada pra fazer né ??

Do isento :

  • Eu faço a minha parte.

Só fazer a nossa parte não resolve, é preciso fazer a nossa parte e mais a parte de quem não faz a sua !!

Não assumimos que a principal  prioridade  de nossos  problemas são as pessoas ! Principalmente as crianças.

Elas nascem ,  crescem, viram problema , depois um  problemão ,  tem nome, tem RG e CPF  e o que é pior, se reproduzem e filhos  de bandidos  já nascem condenados.

Quando não se   investe  para enfrentar as causas, somos obrigados a “enxugar gelo”  gastando  recursos com as consequências .

Lembrando que  gastos não são investimentos, são  só despesas.

A polícia ? Coitada , faz o que pode no enfrentamento paliativo e no círculo vicioso do  prende e a justiça solta.

O  país que tem leis demais   em direitos e pouquíssimas em deveres, e sem deveres, faltam nos    recursos para fazer valer os direitos.

Agora, o  traficante virou vítima do consumidor.

O consumidor já era  vítima da sociedade, virou opressor.

 A única verdade nisso tudo , é  que a sociedade é a  vítima de seu próprio governo!

A gestão pública ( política ) sempre fazendo “média” com o populismo barato , precisa  de  um culpado .

Que sempre, não é ele!

É sabido pelos estudiosos nas ciências sociais que existe uma “fórmula” para a criação de um novo bandido.

Famílias desajustadas, evasão escolar,  uso de drogas por diversão, falta orientação e perspectivas, impunidade e a  legislação frouxa e pronto, perdemos mais um cidadão.

As iniciativas de escolas com modelo cívico-militar,  são sem dúvida uma preciosa ferramenta para ajudar no resgate de jovens para o caminho do bem.

Gestor  que pensa e age assim,  tem visão de longo prazo e os  contrários  têm argumentos que  são justamente os que mantêm e criam  novas vítimas de políticas desse  vitimismo barato.

É um  “circo”  vicioso!  Sim,  um  circo,  onde a sociedade faz  malabarismos para sobreviver  com o nariz pintado de vermelho neste eterno picadeiro de tragédias.

Chamar de vítima os traficantes é o estalo do chicote   no “lombo”  na sociedade,  pela mão de um governo  inconsequente  que se faz passar de bonzinho para uma plateia de claque, mas que na verdade não se interessa nem pelas vítimas que ele mesmo faz .

Rogério Pons da Silva

Jornalista e empresário

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

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