Domingo, 14 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 25 de fevereiro de 2016
O marido de uma gestante internada no Hospital Regional de Sobradinho, no Distrito Federal, teve de fazer o nascimento da própria filha porque, segundo a família, nenhum médico ou enfermeiro apareceu no quarto durante as três horas em que a mãe passou em trabalho de parto.
Segundo a dona de casa Marysol Vieira Pimentel, de 27 anos, a criança, batizada de Yasmin, nasceu com 3,05 quilos e 48 centímetros. Ela passa bem e está em casa. A família diz ter vivido momentos de “terror e sofrimento” no hospital. Ela disse que não teve atendimento apesar de a bolsa estar estourada e o bebê prestes a nascer.
“Eu cheguei por volta de 3h no hospital. Estava com muita dor, não aguentava mais. Fui bem atendida por uma médica que me internou. Infelizmente, ela foi embora na troca de plantão e fiquei sozinha”, disse Marysol. A mãe da pequena Yasmin conta que tentou diversas vezes chamar um enfermeiro. Segundo ela, o profissional negou atendimento sob a alegação de que a criança “ainda demoraria a nascer”.
“Ele disse que eu estava com um tampão mucoso. Já sou mãe de um menino de 8 anos e sei que isso não é verdade. Fui tratada com descaso. Os enfermeiros não quiseram até me limpar. Meu marido foi até o banheiro, pegou um papel higiênico e fez isso”, declarou.
Segundo a família, por volta de 5h40min, Marysol entrou em trabalho de parto. Às 6h, Yasmin nasceu. O marido Wanderson Alves, de 33 anos, diz que pediu “socorro” inúmeras vezes no corredor do hospital. Entretanto, não obteve atendimento nem satisfação dos servidores do hospital.
“Depois que a cabeça saiu, a neném nasceu rapidinho. Fiquei nervoso, desesperado. Como minha esposa fazia muita força, o colchão da maca saiu do lugar. Quando fui pegar minha filha, ela escorregou e quase caiu no chão. Foi um sentimento horrível”, disse. “Ela poderia ter morrido. Mas graças a Deus deu tudo certo.”
Marysol relata estar sem vontade de comer e com dificuldades para dormir. “Fomos muito humilhados, sabe? Lembro sempre das dores que senti e do descaso com que fomos tratados. Não recebi nenhuma medicação ou atendimento. A cena não sai da minha cabeça.” Apesar disso, o casal diz que não pretende entrar na Justiça contra a Secretaria de Saúde. Eles alegam que o órgão público é “poderoso”.
Segundo a mulher, “nenhum dinheiro do mundo” irá substituir o sofrimento passado no Hospital Regional de Sobradinho. “O que importa é que minha filha está bem. Ela poderia não estar viva. Sou grata, apesar de tudo.” (AG)
Os comentários estão desativados.