Terça-feira, 29 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 21 de janeiro de 2026
Em meio ao imbróglio envolvendo as investigações do Banco Master, integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) estão conversando sobre uma solução para tentar diminuir o incômodo gerado pela condução do caso pelo ministro Dias Toffoli. Entre elas está a saída de Toffoli do caso e a aprovação de um código de conduta para juízes de cortes superiores, como o STF.
A atuação dele gerou incômodo na Polícia Federal (PF) e no Banco Central (BC), indispondo investigadores ligados às apurações por episódios como redução do prazo para depoimentos e indicação de profissionais para o trabalho de perícia de material apreendido. Há também um desgaste interno para a Corte, com magistrados questionando procedimentos adotados por Toffoli, relator do caso. A decretação de sigilo para o processo foi alvo de críticas de juristas.
Ligações pessoais do ministro também alimentam pedidos de suspeição, para que ele deixe o caso. De acordo com interlocutores do STF ouvidos pelo jornal O Globo, entre as alternativas para conter a crise estaria mesmo uma declaração de suspeição de Toffoli provocada pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
Um senador da oposição já pediu à PGR para analisar essa possibilidade, mas a avaliação nos bastidores é de que esse pedido não deve ser feito pelos procuradores da equipe do procurador-geral, Paulo Gonet, informou a colunista do jornal O Globo Malu Gaspar. Parlamentares da oposição dizem ter conseguido assinaturas suficientes para instalar uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) sobre o caso Master, mas a decisão cabe ao presidente do Senado, David Alcolumbre.
Outro caminho apontado como saída seria o encaminhamento das investigações para a primeira instância, a partir de eventual conclusão de que não haveria necessidade de manter o caso na Corte em razão de foro privilegiado. O caso ficou no Supremo porque o nome de um deputado federal foi mencionado em um material apreendido na Operação Compliance Zero que prendeu o dono do Master, Daniel Vorcaro, conhecido por cultivar uma ampla rede de contatos em Brasília.
Por outro lado, ministros do Supremo avaliam como muito improvável que Toffoli, por iniciativa própria, se declare impedido ou suspeito de atuar no caso.
O cenário visto como mais provável, contudo, é que a tramitação do caso siga como está atualmente: com Toffoli e no STF. A análise é que, com o passar do tempo, a pressão sobre o tema diminua.
Um dos fatores que aumentaram o mal-estar em torno da atuação de Toffoli no caso do Master foi a revelação de que o cunhado de Vorcaro, o pastor e empresário Fabiano Zettel (alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero, da PF, na semana passada), está por trás de uma teia de fundos de investimentos geridos pela Reag (gestora investigada por fraudes envolvendo o Banco Master no âmbito da Operação Compliance Zero e foi liquidada pelo BC).
Por meio de um deles, Zettel comprou, em 2021, parte da participação de dois irmãos de Toffoli no resort Tayayá, segundo informações publicadas pelo jornal O Estado de S.Paulo.
O empreendimento fica em Ribeirão Claro, no interior do Paraná. A participação valia, à época da transação, R$ 6,6 milhões. A Maridt, empresa dos irmãos de Toffoli, passou a ter o fundo ligado a Zettel como principal sócio. Um dos irmãos do ministro administrava o resort na época.
Toffoli não tem participação direta no empreendimento, mas é um frequentador. Reportagens da Folha de S. Paulo e do portal Metrópoles mostraram que ele continua a visitar o resort com os irmãos, José Carlos e José Eugênio Dias Toffoli, e outros familiares, mesmo após a venda do controle do Tayayá para o advogado Paulo Humberto Costa em fevereiro de 2025.
Costa é um advogado goiano que atua para a J&F, grupo da família Bastista, controladora da gigante de carnes JBS. Ele comprou a participação remanescente da Maridt e também do fundo ligado ao cunhado de Vorcaro.
Funcionários do resort ouvidos pela Folha disseram que o ministro do STF é um frequentador regular e chega a desembarcar ali de helicóptero. Ele foi visto no local no réveillon. Segundo os relatos, Toffoli costuma ficar hospedado numa casa exclusiva no alto de um morro da área do Tayayá, o que também foi apurado pelo Metrópoles.
Empregados ouvidos pelo portal contaram que a presença de Toffoli é tão frequente com familiares e a mobilização de seguranças que chegaram a achar que ele seria o dono do resort.
No início da sua condução do processo do Master, Toffoli também foi alvo de questionamentos por ter viajado a Lima, no Peru, de carona em um jatinho de um empresário. A viagem tinha como objetivo ver o a final da Taça Libertadores da América entre Flamengo e Palmeiras (time do ministro, que perdeu o título). No avião, estava um advogado de um dos executivos do Master no alvo do inquérito da PF. As informações são do jornal O Globo.
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Óbvio que o STF não está minimamente interessado em esclarecer os fatos e aplicar a lei. Quer, apenas e tão sòmente, livrar a cara do colega.