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Política Com seis governadores, PSD vive expansão e mira vácuo deixado por PSDB

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O presidente do PSD, Gilberto Kassab, tira uma selfie no anúncio da filiação de Ronaldo Caiado (C) ao partido, junto dos governadores do Paraná, Ratinho Jr (D), e do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (E). (Foto: Reprodução)

A decisão do PSD de filiar o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, e incluí-lo na lista de cotados da legenda à Presidência, ao lado de Ratinho Junior, do Paraná, e Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, se soma a um movimento mais amplo de expansão do partido, que visa ocupar o vácuo deixado pelo PSDB desde sua derrocada, avaliam cientistas políticos e marqueteiros ouvidos pelo jornal O Globo. Para os analistas, a desconfiança da legenda com a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) também ajuda a explicar o quadro.

A sigla criada por Gilberto Kassab em 2011 nunca teve um candidato próprio ao Palácio do Planalto, apesar de já ter havido ensaios nesse sentido – em 2022, o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) chegou a ser pré-candidato, mas desistiu da empreitada. Dessa vez, Kassab garante que seu partido terá um nome nas urnas em outubro, e que vai decidir até abril se lança Ratinho, Leite ou Caiado.

O movimento está longe de ser isolado. Nos últimos anos, o PSD ampliou sua base de prefeitos, deputados federais e estaduais e virou a casa de tucanos históricos que não viam mais lugar no PSDB, que enfraqueceu drasticamente após as eleições de 2018. Naquele ano, os tucanos perderam o posto de principais rivais do petismo e amargaram o pior resultado eleitoral de sua história.

Paralelamente, o PSD ficou cada vez mais forte. Em 2024, foi o partido com maior número de prefeitos eleitos, com 877 cidades. No Senado, a sigla tem a segunda maior bancada (só perde para o PL), e redutos tradicionalmente tucanos, como o interior de São Paulo, viraram celeiro do PSD – foram 206 prefeitos eleitos na região no último pleito municipal.

A debandada do PSDB para o PSD ficou ainda mais explícita quando, no ano passado, os governadores Eduardo Leite e Raquel Lyra, de Pernambuco, se filiaram ao partido. Para 2026, os planos são ampliar ainda mais. No fim de semana, foi a vez do governador de Rondônia, Marcos Rocha, oficializar a sua entrada no PSD. Com isso, o partido já soma seis governadores – com a saída de Romeu Zema (Novo) do governo de Minas Gerais para disputar o pleito federal em abril, chegará a sete, já que o vice Mateus Simões (PSD) vai assumir o cargo.

Na sexta-feira, Kassab afirmou que a candidatura presidencial ajudará a aumentar a bancada no Congresso, e disse que quer eleger em torno de 100 deputados federais. O próprio presidente nacional do PSD apontou semelhanças entre o partido e o PSDB:

“O PSD também surge num momento em que lideranças políticas de diversos estados, que pensam da mesma maneira, têm o mesmo projeto para o país, entendem que precisa ter um partido representando esse centro. Tem uma semelhança um pouco de como está nascendo. O PSDB veio naquele momento se contrapor à direita malufista e à esquerda petista. O PSD está surgindo como um partido de centro, tem essa semelhança, ser contraponto à direita bolsonarista e à esquerda petista.”

Minutos antes, durante palestra na Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham), em São Paulo, o político elogiou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso por sucessivas vezes e lembrou o legado de outros nomes tucanos, como Mário Covas e José Serra, de quem foi vice-prefeito em 2005.

O cientista político Fábio Kercher avalia que o PSD se encaminha nessa tentativa, porque a substituição do PSDB pelo bolsonarismo na polarização direita e esquerda deixou um espaço em aberto:

“Imagino que o desejo do PSD seja se transformar no PSDB no sentido de ocupar esse polo, ser uma força política de centro-direita para disputar com a principal força política de centro-esquerda, o PT. Mas não é um caminho fácil, o PSDB foi muito importante durante muito tempo, o PSD tenta, mas ainda não é o PSDB dos anos 90, do FH e do Serra.”

O sociólogo Fábio Gomes, presidente do Instituto Informa, vê “uma distância muito grande” entre o desejo de se tornar uma espécie de novo PSDB e a efetividade dessa estratégia. Porém, considera que há uma demanda de parte do eleitorado por uma representação menos polarizada, o que exige lideranças nacionais.

“Os elementos funcionais da escolha presidencial ficaram em segundo plano e ganharam protagonismo os elementos mais simbólicos. Ainda que haja a tentativa de sair disso com governadores experientes, existe a questão simbólica da família Bolsonaro”, diz. “Há um eleitorado que quer alguma coisa fora da polarização. Por outro lado, o eleitor não acredita em uma força política que possa, fora da polarização, ser protagonista. As opções do PSD são consideradas líderes de destaque regional, e não nacional.”

Para Kercher, o movimento do PSD foi motivado justamente pela desconfiança com o nome de Flávio:O PSD está lendo que, claramente, o nome do Flávio, embora seja o representante do bolsonarismo, não está gerando tanta confiança de viabilidade eleitoral, e isso agita outros competidores e o PSD quer entrar nesse espaço. É um movimento que enfraquece mais a direita, porque vai dividir votos.”

Autor do slogan “Lula lá”, ex-assessor de Fernando Henrique Cardoso e coordenador da campanha de Marina Silva em 2010, o marqueteiro Paulo de Tarso acrescenta que Kassab aproveita uma espécie de vácuo na direita que não adere ao bolsonarismo.

“Existe um vazio de centro, de diálogo. A candidatura do Flávio criou esse espaço de centro que precisa ser ocupado, e Kassab o ocupa. Se fosse um político menos hábil, teria tudo para insistir com o Tarcísio, não mudaria de nome, mas ele decidiu administrar um elenco com vários nomes.” As informações são do jornal O Globo.

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