Domingo, 01 de março de 2026
Por Redação O Sul | 28 de fevereiro de 2026
Em janeiro, as estatais registraram um déficit de R$ 4,9 bilhões, um recorde para o período considerando valores nominais – sem correção pela inflação. Segundo o relatório de estatísticas fiscais do Banco Central, nos últimos doze meses, as estatais acumulam déficit de R$ 9,7 bilhões.
Em termos nominais, ou seja, sem valores corrigidos pela inflação, é o maior déficit da história para o mês. Veja a trajetória do resultado primário das estatais para janeiro:
* janeiro de 2021: superávit de R$ 445,8 milhões;
* janeiro de 2022: superávit de R$ 4,4 bilhões;
* janeiro de 2023: déficit de R$ 2,2 bilhões;
* janeiro de 2024: déficit de R$ 1,7 bilhão;
* janeiro de 2025: déficit de R$ 1 bilhão;
* janeiro de 2026: déficit de R$ 4,9 bilhões.
No mês, as estatais federais foram deficitárias em R$ 3,17 bilhões. Veja:
* estatais federais: déficit de R$ 3,17 bilhões;
* estatais estaduais: déficit de R$ 2,23 bilhões;
* estatais municipais: déficit de 13 milhões.
O rombo das estatais federais é registrado em um momento de crise financeira nos Correios. De acordo com o Tesouro Nacional, o empréstimo de R$ 10 bilhões desembolsado pelos bancos para cobrir parte do rombo dos Correios corresponde pela maior fatia (78%) do saldo devedor das operações de crédito garantidas pela União, entre as empresas estatais.
Na semana que passou, o CMN (Conselho Monetário Nacional) aprovou a ampliação do limite empréstimo para os Correios em R$ 8 bilhões. Em nota, o CMN disse que a ampliação é para assegurar a continuidade do Plano de Reestruturação Econômico-Financeira da estatal.
Além disso, há a possibilidade de os novos recursos não serem capturados via empréstimo, mas por um aporte direto do próprio Tesouro Nacional na empresa.
A série do Banco Central das estatais federais, que tem início em dezembro de 2001, não considera a Petrobras, a Eletrobras e nem as empresas do setor financeiro (bancos públicos).
O BC lembra que a Petrobras e a Eletrobras foram excluídos do cálculo das estatais federais em 2009, mas explica que a série histórica de anos anteriores foi revisada com base na nova metodologia — sendo válida, portanto, de 2002 em diante.
Entram nesse cálculo empresas como Correios, a Emgepron, a Hemobrás, a Casa da Moeda, a Infraero, o Serpro, a Dataprev e a Emgea.
O conceito do Banco Central considera apenas a variação da dívida, conceito amplamente utilizado em análises fiscais internacionais, enquanto o governo se utiliza do conceito conhecido por “acima da linha” (receitas menos despesas, sem contar juros da dívida).
Setor público
O setor público consolidado – formado por União, Estados, municípios e estatais – foi superavitário em R$103,7 bilhões em janeiro de 2026. No mês, o governo central e governos regionais foram superavitários. Veja:
* Governo central: superávit de R$ 87,3 bilhões;
* Estatais: déficit de R$ 4,9 bilhões;
* Governos regionais (estados e municípios): superávit de R$ 21,3 bilhões.
A Dívida Bruta do Governo Geral – que compreende o governo federal, o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e os governos estaduais e municipais – se manteve em 78,7% do PIB em janeiro, quando somou R$ 10,1 trilhões. (Com informações dos portais CNN e G1)
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