Domingo, 01 de março de 2026
Por Redação O Sul | 28 de fevereiro de 2026
A escalada militar entre Irã, Estados Unidos e Israel tem como pano de fundo uma disputa antiga: o programa nuclear iraniano. Após semanas de negociações para tentar limitar ou encerrar as atividades do país, americanos e israelenses lançaram nesse sábado (28) um ataque coordenado contra o território iraniano.
O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que o objetivo do ataque é destruir o programa nuclear iraniano e proteger o povo americano de ameaças.
“Nós garantiremos que o Irã não terá uma arma nuclear”, afirmou. “Sempre foi a política dos Estados Unidos, em particular da minha administração, que este regime terrorista nunca poderá ter uma arma nuclear”.
E por que Trump considera o programa uma ameaça? O governo iraniano nega ter uma bomba nuclear. No entanto, parte da comunidade internacional, incluindo a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão responsável pela fiscalização nuclear no mundo, contesta essa versão.
Ex-coordenador de controle de armas dos Estados Unidos, Gary Samore afirmou que o Irã mantém cerca de 400 quilos de urânio enriquecido armazenados em instalações subterrâneas.
E o governo Trump usa isso como uma das razões para o ataque.
Essa é a segunda vez em menos de um ano que os EUA atacam o Irã. Em junho de 2025, uma operação norte-americana bombardeou estruturas nucleares iranianas. A ação ocorreu em apoio a Israel, que travava uma guerra contra o país.
O resultado do ataque de nove meses atrás, no entanto, não é claro. Na época, o presidente americano disse que as instalações haviam sido destruídas. Na sequência, Rafael Grossi, chefe da Agência Internacional de Energia Atômica, disse que os ataques causaram danos graves, embora “não totais”.
Negociações
O acompanhamento das redes sociais do mediador da negociação entre os Estados Unidos e o Irã revela que, em um período de 48 horas, as conversas sobre os limites do programa nuclear iraniano experimentaram uma reviravolta, que terminou com uma ofensiva militar e centenas de mortes.
O ataque dos Estados Unidos e de Israel a cidades iranianas nesse sábado acontece em meio a rodadas de encontros entre representantes do presidente americano, Donald Trump, e do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei.
Há anos, os países discutem os limites do programa nuclear iraniano. Enquanto o Irã sustenta que é para fins pacíficos, os Estados Unidos e alguns aliados, mais notadamente Israel, acusam fins militares.
Acordos
Em 2015, o então presidente americano Barack Obama, do Partido Democrata, firmou um acordo com os iranianos, que aceitariam a limitação da capacidade de enriquecimento de urânio em troca de alívio de sanções econômicas.
O nível de enriquecimento de urânio pode determinar se um programa nuclear é pacífico ou não.
Donald Trump, do Partido Republicano, adversário de Obama, assumiu o primeiro mandato como presidente em 2017 e, já no segundo ano, 2018, retirou o país do acordo com o Irã.
Mas, em 2025, primeiro ano do segundo mandato, Donald Trump voltou a sinalizar ao Irã a necessidade de um novo acordo.
Em meio à pressão e ameaça de guerra, o país do Oriente Médio voltou à mesa de negociação, que tem um mediador externo: o ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr AlBusaidi.
Omã é um país do Oriente Médio ao sul do Irã, separado pelo Golfo de Omã, e tem em seu território a Península de Musandam, um enclave que forma o estreito de Ormuz.
Após os ataques americanos, o Estreito de Ormuz recebeu holofotes da indústria do petróleo, pois passam por ali cerca de 20% da produção mundial.
O receio de analistas é que o Irã bloqueie o estreito, o que levaria à escalada do preço da matéria-prima no mercado internacional. (Com informações do g1 e Agência Brasil)
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