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Economia Cotação do petróleo sobe e desce de forma frenética com guerra de informações

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Até o fechamento da última sexta-feira (29), o barril do Brent acumulou alta de 47,68% em março, a US$ 105,32. (Foto: Reprodução)

Nos dois primeiros meses de 2026, a Bolsa de Valores brasileira (B3), impulsionada pelo forte fluxo de capital estrangeiro, era o grande destaque dos investimentos brasileiros. No último dia de fevereiro, no entanto, o bombardeio dos Estados Unidos e de Israel ao Irã mudou o jogo e elevou a aversão ao risco de investidores. Em março, com a guerra no Oriente Médio, o petróleo assumiu o posto de protagonista global.

Não é para menos: o fechamento do Estreito de Ormuz, via marítima entre o Irã e Omã, por onde passa um quinto do petróleo do mundo, provocou um forte choque na oferta. A cotação disparou.

Até o fechamento da última sexta-feira (29), o barril do Brent acumulou alta de 47,68% em março, a US$ 105,32, enquanto o WTI subiu 48,67%, a US$ 94,19. Ao longo do mês, o Brent chegou a bater bem perto dos US$ 120 durante os pregões mais críticos. Antes do conflito, oscilava perto de US$ 65 o barril.

Já nessa segunda-feira (30), o preço do petróleo subiu com a continuidade dos confrontos entre Israel e Irã, e a ameaça do presidente dos EUA, Donald Trump, de invadir a ilha de Kharg, por onde a maior parte do petróleo iraniano é exportada. A commodity encerrou o dia com alta de 3,39%, cotada a US$ 108,89. Já o contrato de maio do Brent fechou cotado a US$ 114,39, alta de 1,82%. O barril WTI (West Texas Intermediate), usado nos EUA, era negociado a US$ 97,89, alta de 1,87%, no contrato de junho, enquanto o de maio era vendido a US$ 104,75.

Trata-se de um dos movimentos mais intensos já registrados para a commodity. A maior alta mensal ocorreu em setembro de 1990, quando a Guerra do Golfo fez os preços saltarem 46,2%. Março de 2026 não fica muito atrás e rompe uma tendência de baixa vigente desde junho de 2022, quando, após a eclosão da guerra entre Rússia e Ucrânia, o mercado passou a avaliar que o conflito não geraria uma disrupção tão significativa na oferta quanto se imaginava.

Daniel Cobucci, analista do BB Investimentos, destaca que, desta vez, a força da alta do petróleo foi tão grande que superou de uma só vez diversas resistências até a máxima anterior, na casa dos US$ 120: “Cabe lembrar que, em termos reais (descontada a inflação em dólares), a commodity atingiu valores superiores a esse patamar em apenas três ocasiões: começo dos anos 1980 (após revolução iraniana), pré-crise financeira de 2008, e entre 2011 e 2014, auge da produção shale norte-americana.”

A disparada do petróleo veio acompanhada de uma oscilação forte. A cada novo acontecimento, a cotação reage – para cima ou para baixo, a depender do fato novo.

Os pregões da semana passada ilustram bem a dinâmica. Na segunda, uma postagem do presidente americano Donald Trump indicando uma pausa por cinco dias nos ataques às estruturas de energia do Irã fez o preço do petróleo derreter. O Brent caiu 9,86% naquele pregão, enquanto o WTI caiu 10,36%. Na terça, o Irã negou estar em negociação com os Estados Unidos, fazendo a cotação da commodity subir quase 5%.

Em relatório na última quarta-feira, o Goldman Sachs destaca que há fatores pressionando o petróleo para ambos os lados. Entre o que poderiam derrubar os preços, o banco aponta que a probabilidade de a guerra terminar até meados de maio subiu para 60% nos mercados de previsão. A retórica política dá força a essas apostas: declarações de Trump afirmando que a “guerra foi vencida” e que “o fim está próximo” reduzem o prêmio de risco geopolítico embutido no preço do barril.

Mas, na outra ponta, a continuidade dos ataques entre Irã e Israel, além dos planos dos EUA de enviar três mil homens ao Oriente Médio, mantêm a incerteza elevada. Os fluxos de petróleo por Ormuz também permanecem muito baixos, com queda de 95% em relação ao normal, destaca o Goldman.

A dúvida que fica é quanto à duração do conflito. E se, quando ele acabar, a commodity vai corrigir os excessos registrados neste mês e retornar aos fundamentos que operava antes dos bombardeios. Se isso acontecer, os preços devem voltar a se acomodar bem abaixo dos patamares atuais.

É o que pensa a Vista Capital. A gestora tem histórico quando o assunto é petróleo e fez muito dinheiro com posições compradas há alguns anos, mesmo em ciclos em que teve de se posicionar na contramão do mercado.

A gestora dizia que estava convencida de que os preços do petróleo em meados de 2025, perto dos US$ 70 o barril, não eram sustentáveis no médio prazo. Os preços pareciam elevados. Na visão da Vista, o mercado tinha estoques elevados, a Opep+ havia abandonado seu papel de estabilizador de preços e a demanda pela commodity estaria estruturalmente pressionada pela transição para fontes de energia renovável e mudanças no consumo global.

A guerra não foi capaz de alterar esses fundamentos; ao menos, para o médio e longo prazo. Na carta mensal de fevereiro, publicada este mês, a gestora diz que a dinâmica de alta do petróleo causada pelo conflito deve ser lida, sobretudo, como um choque agudo de logística, escoamento e distribuição; e não como uma alteração estrutural e persistente do balanço global de petróleo. As informações são dos jornais O Estado de S. Paulo e Folha de S.Paulo.

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