Quinta-feira, 09 de abril de 2026
Por Redação O Sul | 5 de abril de 2026
O risco de uma Terceira Guerra Mundial voltou ao debate após a escalada de tensões envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. Apesar do cenário preocupante, especialistas avaliam que o conflito ainda está concentrado em nível regional, mesmo após mais de um mês de confrontos.
A guerra já impacta diversos países do Oriente Médio, direta ou indiretamente, o que amplia o temor de uma escalada. Ainda assim, o professor Joe Maiolo, do King’s College de Londres, explica que uma guerra mundial exige o envolvimento direto das grandes potências.
Já a historiadora Margaret MacMillan, da Universidade de Oxford, alerta que conflitos podem fugir do controle mais rápido do que se imagina.
“As pessoas tendem a pensar que as guerras são cuidadosamente planejadas… mas, muitas vezes, elas acontecem por erro de cálculo”, disse a historiadora, em entrevista ao programa de rádio The Global Story.
Como exemplo, MacMillan cita a Primeira Guerra Mundial, desencadeada após o assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando e a reação em cadeia entre alianças europeias.
Segundo ela, o maior risco atual está em uma ampliação do conflito por parte do Irã ou de aliados. “Acho que o país com mais probabilidade de escalar o conflito é, provavelmente, o Irã ou seus parceiros”, afirmou.
Medidas como ataques a rotas estratégicas ou o fechamento do Estreito de Ormuz poderiam afetar o fornecimento global de energia e atrair outras potências para o confronto. Além disso, a especialista aponta que crises regionais podem gerar efeitos colaterais em outras partes do mundo.
– Efeito dominó e o papel das potências: Nesse cenário, países como China e Rússia poderiam se beneficiar da distração internacional para avançar em seus próprios interesses, como em Taiwan ou na guerra contra a Ucrânia. Ainda assim, Maiolo descarta uma escalada imediata: “Essa ideia de que algo acontece e a China vai se lançar contra Taiwan simplesmente não faz sentido”.
Para o especialista, pode ser até estrategicamente vantajoso que os Estados Unidos estejam focados no Oriente Médio.
Ao mesmo tempo, ele avalia que não há sinais concretos de que as grandes potências estejam dispostas a entrar diretamente em um conflito global neste momento.
Os analistas também destacam o peso das decisões políticas. “Fazer a paz é mais difícil que fazer a guerra”, lembrou MacMillan, citando o ex-primeiro-ministro francês Georges Clémenceau. Para ela, fatores como orgulho, medo e cálculo estratégico podem prolongar guerras e ampliar seus impactos.
– Diplomacia ainda é o principal freio: Apesar dos riscos, a diplomacia segue sendo apontada como o principal caminho para evitar uma escalada global. “Você precisa conhecer o outro lado… e manter contato”, afirmou MacMillan.
Segundo ela, momentos de tensão extrema ao longo da história foram contidos justamente por canais de diálogo entre as potências.
Além disso, o temor do uso de armas nucleares funciona como um fator de dissuasão. Para os especialistas, esse equilíbrio delicado tende a impedir que o conflito ultrapasse as fronteiras regionais, ao menos por enquanto. As informações são do portal de notícias R7.
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