Domingo, 03 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 25 de abril de 2026
A presidenteda União Nacional dos Estudantes (UNE), Bianca Borges, admite que o governo do presidente Lula está desconectado da juventude. Ela afirma que havia um “consenso” na esquerda de que bastava Lula fazer um governo de entregas para que a população respondesse positivamente. Mas, na sua avaliação, as coisas mudaram.
“As pesquisas recentes indicam que não é bem assim. Acho que falta a gente se conectar com o sentimento das pessoas, né? Esse talvez seja o grande desafio do presidente Lula”, diz. Ao comentar o alcance das redes sociais, ela observa com preocupação: “De um lado, o Lula que não tem nem celular; do outro, o Nikolas Ferreira, que caminhou mil km outro dia só para ir gravando stories e fazer cortes para as redes sociais. Então, com certeza, isso é parte do nosso desafio”.
“O que o brasileiro quer hoje? Não dá só para ampliar o SUS, inaugurar mais universidades – e a gente sabe a importância disso tudo –, mas não é isso que está deixando a população satisfeita”, destaca Bianca, citando pesquisa Genial/Quaest na qual eleitores mostram frustração, entre outras coisas, com o fato de não conseguirem trocar de celular.
Pesquisa recente mostrou que quase 73% dos jovens da geração Z, entre 16 e 24 anos, desaprovam o presidente Lula. É um grupo também mais conservador. “Os jovens hoje são muito desconectados da própria história do nosso país e, como desconhecem a história, não valorizam esse olhar para o político, social e econômico dos governos progressistas”, avalia a presidente da UNE.
“Essa eleição vai ser fortemente influenciada por fatores geracionais”, diz Bianca, que é formada em Direito pela USP.
UNE
A UNE é a principal entidade de representação estudantil universitária do Brasil. Fundada em 1937, a organização reúne diretórios centrais de estudantes (DCEs), centros acadêmicos e outras entidades ligadas ao ensino superior público e privado. Ao longo de sua trajetória, a UNE participou de debates políticos, educacionais e sociais relevantes no país, tornando-se uma das instituições civis mais conhecidas do movimento estudantil brasileiro.
A entidade atua, em tese, na defesa de pautas relacionadas ao acesso à universidade, permanência estudantil, financiamento da educação, qualidade do ensino e direitos dos estudantes. Também costuma se posicionar sobre temas nacionais, como democracia, economia e políticas públicas, o que historicamente ampliou sua influência para além do ambiente acadêmico.
Entre momentos marcantes de sua história estão a participação em campanhas como “O Petróleo é Nosso”, nos anos 1950, a resistência à ditadura militar após 1964 e a mobilização estudantil no processo de redemocratização. A sede da UNE no Rio de Janeiro foi incendiada após o golpe militar, e a entidade permaneceu na ilegalidade durante parte do regime.
A importância da UNE está ligada, principalmente, à capacidade de organização coletiva de estudantes em escala nacional. Em um país com grande desigualdade de acesso ao ensino superior, entidades representativas podem funcionar como canal de pressão por bolsas, assistência estudantil, transporte, moradia universitária e melhorias estruturais nas instituições de ensino.
Ao mesmo tempo, a UNE também é alvo frequente de críticas. Adversários apontam proximidade histórica com partidos políticos, especialmente de esquerda, além de questionarem sua representatividade entre os estudantes e o uso político de mobilizações. Há ainda avaliações de que a entidade perdeu influência em comparação com décadas anteriores, diante da fragmentação do movimento estudantil e das mudanças no perfil universitário brasileiro. (Com informações da Coluna do Estadão/O Estado de S. Paulo)
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