Terça-feira, 02 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 2 de junho de 2026
A jovem perdeu uma perna após ser mordida por tubarão em praia do Recife (PE).
Foto: Reprodução/redes sociaisO médico Mike Andrade estava na Praia de Boa Viagem, no Recife (PE), acompanhado da mãe para uma caminhada, quando avistou uma movimentação incomum na água, na tarde de segunda-feira (1º). Naquele momento, Marcela Vitória de Lima Santos, de 19 anos, havia acabado de sofrer um ataque de tubarão. O profissional de saúde prestou os primeiros socorros à vítima e informou que a jovem já saiu do mar com a perna completamente arrancada pela força da mordida.
Andrade relata que percebeu que a jovem estava em uma área incomum para banho e, em seguida, viu um rastro de sangue na água. Outros banhistas que estavam no local também correram para ajudar. Ao retirar Vitória do mar, o médico constatou que ela havia sido atacada por um tubarão e perdido toda a perna.
“Eu tinha acabado de chegar à praia para fazer uma caminhada. Minha mãe observou que ela estava mais ao fundo, o que não é comum. Quando percebemos isso, vimos um rastro de sangue surgindo na água. Ela gritou e muita gente correu para ajudar. Quando tiraram a jovem do mar, vi que a perna dela inteira havia sido removida”, disse Andrade, em entrevista à TV Globo Nordeste.
Segundo o médico, a vítima perdeu muito sangue após o ataque, e ele precisou utilizar o cordão do short da mãe para tentar conter a hemorragia. Pouco depois, equipes do Corpo de Bombeiros chegaram ao local e utilizaram faixas de compressão até que a jovem fosse encaminhada ao hospital.
“Inicialmente, usei toda a força das mãos para pressionar a artéria femoral, porque o ferimento foi muito próximo da cintura. Pedi à minha mãe que retirasse o cordão do short dela e o utilizei para improvisar um torniquete, tentando conter o sangramento”, relatou o médico.
O ataque ocorreu um dia após um menino de 11 anos ser vítima de um incidente semelhante na Praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, no domingo (31). A criança permanece internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital da Restauração (HR), em Pernambuco, e teve a perna esquerda amputada.
Segundo dados do Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit), o caso do menino foi o 24º ataque registrado na Praia de Piedade.
Com o ataque sofrido por Vitória, Pernambuco contabiliza 84 incidentes com tubarões desde 1992, quando teve início a série histórica de monitoramento.
O número de ocorrências envolvendo tubarões começou a aumentar a partir da década de 1990 em razão da construção do Porto de Suape, segundo especialistas. As obras provocaram a destruição de áreas de manguezal, reduzindo a oferta de alimento para os animais e dificultando o acesso aos rios utilizados pelas fêmeas da espécie cabeça-chata para reprodução.
Como consequência, parte da população de tubarões migrou para a região metropolitana do Recife, onde ocorreram os incidentes registrados nesta semana.
“As obras destruíram manguezais, diminuindo o acesso dos tubarões ao alimento e dificultando a entrada nos rios utilizados pelas fêmeas da espécie cabeça-chata para dar à luz seus filhotes. Com isso, os animais migraram para a área da Grande Recife, onde episódios como os desta semana passaram a ocorrer com maior frequência”, explicou o biólogo marinho e diretor do AquaRio, Marcelo Szpilman.
De acordo com o Cemit, o menino de 11 anos atacado no domingo (31) foi mordido por um tubarão-cabeça-chata, espécie mais frequentemente associada a incidentes com seres humanos na região. Já a jovem de 19 anos atacada nesta segunda-feira (1º) teria sido mordida por um tubarão-tigre.
(Com O Globo)
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