Quarta-feira, 03 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 3 de junho de 2026
A ameaça de um novo tarifaço do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recolocou a soberania nacional no centro do debate da pré-campanha à Presidência. PT e aliados tentam colar a imagem do senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) aos prejuízos econômicos que devem ser gerados pela sobretaxa, e acusam a família Bolsonaro de tentar “vender” o país. Já a pré-campanha de Flávio acompanha com preocupação o anúncio do governo americano e busca se desvencilhar da acusação de agir contra os interesses nacionais, após encontro com Trump.
O governo dos Estados Unidos propôs a aplicação de uma tarifa punitiva de 25% sobre bens importados do Brasil depois de concluir uma investigação que considerou parte das práticas brasileiras como injustas em questões como desmatamento ilegal, pirataria e falhas na aplicação de leis anticorrupção.
O governo Trump criticou o Pix e acusou o Banco Central do Brasil de favorecer esse sistema de pagamentos em detrimento de empresas americanas do setor. A possibilidade de um novo tarifaço foi anunciada na terça-feira (2), uma semana depois de Flávio e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) reunirem-se com Trump na Casa Branca, em Washington.
Lula, ministros e aliados tentam usar a ação da família Bolsonaro para desgastar Flávio junto ao setor produtivo, e veem no episódio uma oportunidade para buscar apoio de empresários e investidores, a quatro meses das eleições. Em comum, as declarações de governistas colocam Flávio no alvo dos ataques e poupam Trump de críticas diretas. O presidenciável do PL, no entanto, apressou-se em dizer que teria pedido a Trump para não taxar empresas brasileiras, em uma “Vacina” às críticas.
O presidente Lula, pré-candidato à reeleição, levou para o palanque a defesa da soberania, do Pix e os ataques à família Bolsonaro chamou de “família metralha” e “traidores da pátria”. Em Catalão (GO), Lula associou a visita de Flávio e Eduardo a Trump ao anúncio da taxação. “Ele foi pedir arrego. Foi dizer para o Trump dar uma porrada no Lula, porque o Lula vai ganhar a eleição. Imbecil. Ele não sabe que ele não vai prejudicar o Lula. Ele vai prejudicar é o povo brasileiro”, disse.
“Esses filhos do Bolsonaro conseguem ser piores do que ele. E são, na verdade, vendilhões da pátria. Foram pedir para que um país estrangeiro se intrometesse nas decisões dos brasileiros. É isso que vocês têm que dizer em alto e bom som: são traidores”, declarou Lula.
Em seguida, o presidente subiu ainda mais o tom, e equivocou-se com fatos históricos. “Por menos do que isso, Joaquim Silvério dos Reis, que delatou Tiradentes, foi enforcado. O que merecem os traidores da pátria que vão pedir intervenção de um país no nosso país? Pensem, pensem, meditem.”
A declaração fez com que Flávio anunciasse que pretende acionar o Supremo Tribunal Federal (STF) contra Lula por supostos crimes de ameaça e incitação ao crime. Em nota, Flávio disse que “Lula afirmou que o senador deveria ter o mesmo destino que Tiradentes e ser morto por enforcamento”.
No palanque, Lula também criticou Flávio por declarar que não teria solicitado medidas contra o Brasil. “Pior espécie de ser humano que esse país produziu. Nunca esse país teve a sordidez política que a gente tem com essa família metralha”, disse. “Todo covarde é assim. Fala a m* que fala, depois não tem coragem de assumir o que fala.”
O presidente lembrou ainda que, no tarifaço anunciado por Trump em julho de 2025, Flávio e Eduardo – filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro – comemoraram. “O que fizeram os meninos do Bolsonaro? Um deles, que é (pré)-candidato à Presidência, escreveu no dia 9 de julho: ‘Obrigado, Trump. Faça o Brasil livre de novo'”, disse.
Na pré-campanha de Flávio, a estratégia tem sido desvincular a discussão tarifária da visita de Flávio a Trump, e o presidenciável reiterou ter pedido ao governo americano para que as empresas brasileiras não fossem alvo das tarifas, Em entrevista à rádio Itatiaia, o senador disse que ameaça ao Pix “é mentira” e acusou Lula de fazer “terrorismo” na “cabeça dos brasileiros”. “Eu pedi expressamente ‘não taxem as empresas brasileiras’. Em 2027 vocês vão ter um governo que vai sentar aqui com vocês, vai negociar de igual para igual”, afirmou. Flávio defendeu o Pix e disse ser mentira a ameaça ao sistema de pagamento. (Com informações do Valor Econômico)
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