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Economia Novo tarifaço ameaça 21% do que o Brasil exporta aos Estados Unidos

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Setores mais atingidos seriam de máquinas, equipamentos, plástico, madeira, esquadrilhas, calçados, ferro fundido, peixes e crustáceos. (Foto: Freepik)

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Márcio Elias Rosa, afirmou que a proposta de um novo tarifaço dos Estados Unidos pode atingir 21% do que o Brasil vende para o país. A proposta do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) é de aplicar tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras. A fala foi feita após uma reunião de emergência para discutir a resposta ao governo de Donald Trump.

“Essa recomendação feita pelo USTR alcançaria hoje em torno de 21% do que o Brasil exporta para os Estados Unidos. Os setores mais atingidos seriam de máquinas, equipamentos, que têm valor agregado, produtos de plástico, de madeira, esquadrilhas, calçados, ferro fundido, peixes e crustáceos. Essas são as áreas mais expostas se isso se converter em tarifa, o que não acreditamos que vá acontecer.”

Impacto

O valor é menor do que seria na balança comercial até 2024, antes do tarifaço de Trump. Considerando as vendas do ano retrasado, a nova sobretaxa de 25% atingiria 35% das vendas brasileiras para lá, um valor equivalente a US$ 15 bilhões na balança comercial de 2024, estimou a Câmara Americana de Comércio do Brasil (Amcham).

Vários dos produtos que o Brasil mais exporta para os EUA – como petróleo, carne bovina, aviões, celulose e café – estão na lista de exceções do relatório do USTR. Os bens que não estão, e, portanto, seriam atingidos pela sobretaxa de 25% sugerida pelo USTR, somaram os US$ 15 bilhões em exportações para o mercado americano em 2024.

O levantamento considerou os dados da balança comercial do ano retrasado porque, no ano passado, o tarifaço de Donald Trump, com um vaivém de tarifas que foi de 10% a 50%, atrapalhou o comércio. Em 2025, as exportações do Brasil para os EUA caíram 6,6%, somando US$ 37,7 bilhões.

Segundo a Amcham, os setores potencialmente mais impactados pela proposta de sobretaxa do USTR seriam as indústrias de máquinas e equipamentos, de produtos florestais e de alimentos processados.

Os principais produtos atingidos pela recomendação do USTR “incluem ferro-gusa, máquinas e equipamentos, açúcar, produtos de madeira, gorduras animais, tratores, tabaco, granito, compensados de madeira, etanol, café instantâneo e transformadores elétricos”, diz uma nota divulgada pela Amcham.

O principal bem da pauta é o “ferro-gusa”, que registrou vendas de US$ 1,5 bilhão para os EUA em 2024.

Pix

Após a reunião em Brasília, o ministro Rosa afirmou que tem havido diálogo, que foram pelo menos quatro encontros formais, sendo o último foi na quinta-feira (28).

“O Pix não está na mesa de negociação, não há hipótese para isso”, ressaltou.

A reunião ocorreu horas após o USTR concluir a investigação comercial aberta contra o Brasil com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana e recomendar a aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, com exceções para uma série de itens.

O relatório divulgado pelo governo americano afirma que determinadas políticas e práticas do Brasil seriam “irrazoáveis” e prejudicariam empresas dos Estados Unidos. Entre os pontos citados estão o Pix, questões relacionadas ao comércio digital, propriedade intelectual, etanol, combate ao desmatamento e corrupção.

Nos bastidores, integrantes do governo brasileiro consideraram a proposta sem fundamento técnico consistente e classificaram como “absurda” a inclusão de alguns argumentos apresentados pelos americanos. Ao mesmo tempo, auxiliares do presidente Lula avaliam que o resultado poderia ter sido mais severo, já que a tarifa sugerida ficou em 25% e o documento prevê uma ampla lista de exceções, além de mencionar a possibilidade de um acordo entre os dois países.

O parecer do USTR abre agora uma etapa de consulta pública antes de uma decisão final sobre a adoção das sanções comerciais. O prazo legal para conclusão do processo termina em 15 de julho. (Com informações do jornal O Globo)

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