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Colunistas O piso de caquinhos vermelhos

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Raul e seu mascote Miti no ed. Quebra-mar, em Tramandaí. (Foto: Reprodução)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

Entre as décadas de 1940/50 no ABC paulista, mais precisamente em uma empresa de cerâmica em São Caetano, nasceu uma ideia que transformou o visual dos assoalhos de milhares de casas pelo Brasil afora.

Foi a “moda” dos caquinhos de cerâmica para fazer pisos de varandas, cozinha e áreas. Os pisos eram predominantemente da cor vermelha, como pode-se observar na ilustração gentilmente cedida pelo amigo Raul de Oliveira Filho com o mascote Miti no ed. Quebra Mar, em Tramandaí, construído nos anos 1960.

Os pisos mosaicos de caquinhos de cerâmica tem uma história pitoresca e merece o registro.

Segundo que apurei, tudo começou quando um funcionário da empresa de cerâmicas pediu permissão ao seu superior para levar os caquinhos de lajotas descartadas por algum defeito de fabricação.

Lajotas quebradas, lascadas ou com imperfeições eram deixadas no pátio nos fundos da empresa.

O funcionário levou os caquinhos para sua casa e por certo habilidoso para o serviço, inseriu as peças uma a uma no cimento ainda mole no piso de sua varanda. O desenho dos encaixes aleatórios deu um efeito visual personalíssimo no assoalho.

Colegas, parentes e amigos ficaram admirados com a estética da novidade e o principalmente o baixo custo para execução.

Resultado: Outros funcionários e amigos começaram a copiar o modelo de pisos com mosaico de cerâmica quebrada para suas casas.

O modelo de piso de caquinhos de cerâmica vermelha se espalhou rapidamente entre funcionários também de outras cerâmicas e depois virou febre nas famílias de baixa renda em São Paulo.

A procura por caquinhos foi tanta que as empresas passaram a comercializar os caquinhos e mais tarde, na falta deles, as fábricas passaram a quebrar lajotas para vender os caquinhos, tamanha era a demanda.

A moda foi se espalhando por todo o Brasil e aqui no Estado até bem pouco tempo era muito comum este tipo de piso.

Até dias de hoje em casas mais antigas de classe média se encontra o estilo charmoso mosaico de “caquinhos”.

O desenho, por óbvio, é sempre exclusivo também alguns incrementados com caquinhos pretos ou amarelos espalhados aqui e acolá aleatoriamente, já que estes eram mais difíceis de encontrar. Os coloridos preto e amarelo “quebravam” o padrão vermelho do mosaico deixando os pisos com desenho único e personalíssimo.

O estilo diminuiu sua popularidade na década de 1960, com o aumento da construção de mais prédios nas cidades, que inviabilizou seu uso em grandes varandas.

Assim, quando encontrar um piso mosaico de caquinhos, faça um registro fotográfico, você estará diante do que é considerado um verdadeiro clássico da arquitetura afetiva brasileira.

* Rogério Pons da Silva – jornalista e empresário (rponsdasilva@gmail.com)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

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