Domingo, 28 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 27 de junho de 2026
Um telescópio espacial da Nasa lançado há mais de duas décadas está no centro de uma operação que pode abrir caminho para uma nova era na exploração espacial. A agência americana prepara uma missão robótica para elevar a órbita do observatório Neil Gehrels Swift, que vem perdendo altitude por causa do aumento do arrasto atmosférico e corre o risco de reentrar na atmosfera terrestre nos próximos anos.
Especializado em detectar explosões de raios gama – fenômenos considerados entre os mais violentos do Universo –, o Swift foi lançado em novembro de 2004 e continua produzindo dados científicos relevantes. No entanto, a intensificação da atividade solar fez com que a atmosfera superior da Terra se expandisse, aumentando o atrito sobre o satélite e acelerando sua queda gradual.
Sem um sistema próprio de propulsão capaz de corrigir a órbita, o observatório depende de uma solução inédita: ser capturado por outra espaçonave e impulsionado para uma altitude mais elevada.
Para isso, a Nasa selecionou a empresa americana Katalyst Space Technologies para desenvolver a missão Swift Boost. O plano prevê o lançamento da espaçonave robótica Link, projetada para se aproximar autonomamente do telescópio, realizar sua captura e utilizar seus próprios propulsores para reposicioná-lo em uma órbita mais segura, prolongando sua vida operacional.
A operação é considerada especialmente complexa porque o Swift jamais foi concebido para receber manutenção em órbita. Diferentemente de equipamentos modernos, ele não possui portas de acoplamento ou interfaces destinadas a esse tipo de intervenção, exigindo que a espaçonave de resgate utilize mecanismos específicos para agarrar sua estrutura com segurança.
Além de preservar um observatório ainda ativo, a missão servirá como demonstração tecnológica para futuros serviços de manutenção espacial. A capacidade de reparar, rebocar ou reposicionar satélites em órbita é vista por especialistas como uma das áreas mais promissoras do setor espacial, com potencial para reduzir custos e ampliar significativamente a vida útil de equipamentos científicos e comerciais.
Segundo a Nasa, o desenvolvimento acelerado da missão também representa uma oportunidade de testar novas tecnologias de aproximação e captura robótica em um cenário real. Caso seja bem-sucedida, a operação poderá servir de modelo para intervenções semelhantes em outros satélites que não foram originalmente projetados para receber assistência em órbita.
A expectativa é que a Link seja lançada a bordo de um foguete Pegasus XL, em uma missão prevista para ocorrer ainda este ano. Após alcançar o Swift, a nave executará uma série de manobras de precisão antes de elevar gradualmente sua órbita, reduzindo os efeitos do arrasto atmosférico e permitindo que o telescópio continue observando explosões de raios gama, buracos negros, supernovas e outros fenômenos extremos do cosmos. (As informações são de O Globo)
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