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Política Eleições 2026: dados reforçam que disputa será intensa entre eleitores “moderados”

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Apesar das discussões acaloradas e de leves vantagens de um sobre o outro, Lula e Flávio, a rigor, permaneceram em empate técnico durante boa parte do semestre. (Foto: TSE/Divulgação)

Antes de os aúdios entre Flávio Bolsonaro (PL) e o banqueiro Daniel Vorcaro virem à tona pelo site Intercept Brasil, 31% dos eleitores independentes votariam no senador e 29% no presidente Lula, com 35% de abstenções e 5% de indecisos, segundo pesquisa da Genial/Quaest.

Um mês depois, Lula foi a 37% de intenções de voto no segmento, e Flávio, a 24%. A abstenção registrou 30%, e os indecisos, 9%. Nesse segmento, a margem de erro da pesquisa é de quatro pontos porcentuais. Entre a direita não bolsonarista, a intenção de voto em Flávio Bolsonaro passou de 88% para 82%. A margem de erro nesse grupo é de cinco pontos porcentuais.

Os eleitores independentes também têm se inclinado para o governo, segundo a Genial/Quaest. Em abril, a diferença entre os que desaprovavam a gestão federal e os que a aprovavam era de 26 pontos porcentuais (58% a 32%, respectivamente). O intervalo reduziu vinte pontos porcentuais desde então, indo a seis pontos na rodada de junho (47% a 41%).

Apesar das discussões acaloradas e de leves vantagens de um sobre o outro, Lula e Flávio, a rigor, permaneceram em empate técnico durante boa parte do semestre. Para o cientista político Aldo Fornazieri, o enredo das pesquisas do primeiro semestre aponta para um “ponto de partida” da campanha, mas não esboça, por enquanto, uma tendência capaz de encerrar a disputa. Segundo o professor, a intenção de voto só é definida de forma mais clara a partir do momento que o ambiente da campanha é “introjetado” pelo eleitor.

Para Beto Vasques, professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (Fespsp), o crescimento de Flávio Bolsonaro também pode ser explicado pelo fato de o senador ter “jogado desmarcado” durante os primeiros meses de pré-candidatura, ou seja, não ter sofrido críticas mais contundentes de seu principal adversário.

Como mostrou o Estadão, ao notar o ritmo com que o senador crescia nas pesquisas, o PT abandonou a estratégia de reservar a artilharia contra o pré-candidato do PL apenas após o início da campanha.

Leandro Consentino, professor do Insper, avalia que o áudio “nivelou por baixo” a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro, demovendo o eleitor que havia declarado voto no senador nas rodadas anteriores por percebê-lo como uma “alternativa” à pecha de corrupção associada a Lula.

No mesmo sentido, Beto Vasques observa que, após a divulgação do áudio, Flávio Bolsonaro caiu mais entre eleitores “independentes” e de “direita não bolsonarista”, segundo a denominação usada pela Genial/Quaest.

Para Beto Vasques, a disputa ponto a ponto entre Lula e Flávio Bolsonaro aponta para uma campanha suscetível à “agenda factual”, ou seja, aos efeitos do noticiário sobre os humores do eleitorado.

As desvantagens momentâneas, até aqui, de Flávio não escondem o maior problema de Lula, segundo especialistas. Para Aldo Fornazieri, professor da Fespsp, a avaliação do governo é o “grande problema” da pré-candidatura de Lula. De acordo com Fornazieri, a avaliação ruim da gestão federal dá ao petista um teto estreito na corrida eleitoral, além de deixá-lo na “defensiva” do debate público.

Nesse sentido, de fevereiro a abril, além do cenário desfavorável nos índices de aprovação, a percepção das notícias sobre o governo foi mais negativa do que positiva, segundo a Genial/Quaest.

Em abril, as notícias sobre a gestão Lula foram “mais negativas” para 48% dos eleitores, enquanto 23% afirmaram que o noticiário foi “mais positivo”. O índice de percepção negativa cresceu sete pontos porcentuais em relação a fevereiro, quando marcou 41%.

Para Leandro Consentino, Flávio Bolsonaro passou por um período de “lua de mel” ao apresentar a pré-candidatura em um momento oportuno para a oposição.

“O governo passava por um momento muito ruim, e o Flávio surgiu como alternativa da oposição. Com isso, conseguiu reunir um patamar já consolidado pelos eleitores do pai, mas conquistou também os eleitores moderados, que é onde a batalha das eleições vai ser travada”, argumentou o professor. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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