Terça-feira, 14 de julho de 2026
Por Gisele Flores | 14 de julho de 2026
Vice-presidente do Ibraoliva, Solange Neves, secretário da Agricultura do RS, Marcio Madalena e coordenador técnico da Câmara de Olivicultura do RS, Paulo Lipp.
Foto: Gisele Flores.
O Brasil encerrou a safra de 2026 com um marco histórico: 1,434 milhão de litros de azeite de oliva produzidos, segundo o Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva). O resultado representa uma alta de 496,75% em relação a 2025, ano prejudicado pelo clima, e supera em 123,98% o recorde anterior de 2023.
RS ultrapassa 1 milhão de litros
O Rio Grande do Sul foi protagonista, com 1,17 milhão de litros, crescimento de 514,82% sobre 2025 e avanço de 101,64% em relação ao recorde estadual de 580 mil litros em 2023. Pela primeira vez, o estado rompeu a barreira de 1 milhão de litros, consolidando-se como o epicentro da olivicultura nacional. Hoje, o RS reúne 31 lagares e cerca de 390 produtores, responsáveis por estruturar uma cadeia que já movimenta turismo e economia regional.
Outras regiões produtoras
A Mantiqueira aparece em segundo lugar, com 250 mil litros, seguida por Santa Catarina (10 mil litros), Paraná (2,5 mil litros) e Espírito Santo (1,5 mil litros). Embora menores, esses volumes demonstram a expansão da cultura para além do Sul, abrindo novas fronteiras agrícolas.
Um olhar no mercado
Para a vice-presidente do Ibraoliva, Solange Neves, o resultado reflete tanto a boa safra quanto o aprendizado acumulado: “Essa é uma conquista conjunta, construída com a organização dos produtores e a parceria entre instituições públicas e iniciativa privada. Temos avançado no manejo, compreendido melhor os efeitos das condições climáticas e trabalhado para produzir azeites de qualidade”.
Ela também destacou os efeitos sociais e econômicos: “Quando uma região se torna exemplo de produção, ela agrega valor para toda a comunidade, movimenta o município e cria oportunidades ligadas ao turismo”.
O secretário da Agricultura do RS, Marcio Madalena, lembrou que a cultura começou a ser estruturada há pouco mais de duas décadas: “Trabalhávamos com uma projeção abaixo de 1 milhão de litros e não havia expectativa de superar essa marca neste ano. Ultrapassamos justamente no momento em que começamos a acumular medalhas internacionais, consolidando o reconhecimento da qualidade do azeite gaúcho em nível global”.
Impactos econômicos e projeções
O recorde de 2026 não é apenas um dado agrícola: ele sinaliza que a olivicultura brasileira entrou em uma nova fase. O setor já movimenta cadeias de turismo gastronômico, gera empregos locais e atrai investimentos em agroindústrias. A predominância da produção gaúcha mostra que o estado se consolidou como referência, mas também abre espaço para diversificação regional.
A projeção é que, com maior previsibilidade climática e avanço tecnológico, o Brasil possa ultrapassar 2 milhões de litros até 2028, ampliando a participação no mercado interno e abrindo espaço para exportações. O reconhecimento internacional, com medalhas conquistadas por azeites gaúchos, reforça a competitividade da produção nacional em nichos premium.
A olivicultura, antes vista como aposta de nicho, começa a se consolidar como vetor estratégico do agronegócio brasileiro, ao lado de vinhos e produtos de alto valor agregado. O desafio agora é ampliar políticas de incentivo, fortalecer a pesquisa e garantir que o crescimento seja acompanhado por qualidade e sustentabilidade. (por Gisele Flores – gisele@pampa.com.br)
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