Quarta-feira, 22 de julho de 2026
Por Redação O Sul | 21 de julho de 2026
Após muita discussão sobre a possibilidade de um “Super” El Niño neste ano, cientistas começam a ter mais clareza sobre o que esperar do fenômeno, que já está afetando o clima do planeta.
A o órgão responsável pelos oceanos e pela atmosfera (NOAA) indicou nesta quinta-feira, 9, que o El Niño da temporada 2026/2027 tem 81% de probabilidade de se tornar “muito forte” (a categoria máxima) até setembro.
Segundo cientistas, um Super El Niño acontece quando a anomalia de temperatura na superfície do Oceano Pacífico ultrapassa +2°C em relação à média histórica. Intervalos menores entre esses eventos de grande intensidade se relacionam com a intensificação da mudança climática.
“Episódios de El Niño estão se tornando mais frequentes e mais intensos, o que resulta do aquecimento dos oceanos por conta da mudança climática”, disse ao Estadão o coordenador geral de operações e modelagem do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Marcelo Seluchi.
Segundo ele, a intensidade pode ser compatível àquela dos El Niños de 2015/2016 ou 2023/2024.
Conforme análise da empresa de meteorologia Metsul, as primeiras projeções do mês de julho feitas pelos modelos de clima indicam anomalias entre +3ºC e +4ºC no Pacífico Equatorial para o último trimestre do ano, nível de aquecimento jamais observado nos últimos 150 anos.
A agência americana tem precisado elevar a escala de seus gráficos de seu modelo de previsão climática por conta das projeções cada vez mais extremas para o El Niño 2026-2027, segundo a empresa.
O maior valor de anomalia até hoje, com base em dados da NOAA, foi registrado no El Niño de 2015-2016, alcançando +3°C em uma semana de novembro de 2015. O segundo maior pico ocorreu durante o Super El Niño de 1982-1983, com +2,6°C na temperatura do mar do Pacífico em dezembro de 1982.
Houve ainda eventos de El Niño que tiveram impactos devastadores mesmo com anomalias menores: o de 1997-1998, considerado um dos mais poderosos por suas consequências, atingiu um máximo semanal de 2,3°C.
Já o fenômeno 2023-2024 apresentou valor inferior ao dos três grandes episódios anteriores — anomalia semanal máxima de 2,1°C —, ainda suficiente para colocá-lo entre os mais intensos da série histórica da NOAA.
Intensidade dos impactos no Brasil
No Brasil, previsões oficiais indicam chuvas acima da média em áreas da Região Sul e abaixo da média no centro-norte. Além disso, há alta probabilidade de temperaturas acima da média na maior parte do País no segundo semestre, que podem aumentar a ocorrência de ondas de calor e incêndios florestais.
Os meteorologistas da Metsul ressaltam que a história mostra não haver “relação direta entre o tamanho do El Niño e a magnitude dos desastres climáticos no Brasil”.
Isso porque eventos de maior intensidade, como os de 1982-1983, 1997-1998 e 2015-2016, produziram efeitos diferentes entre si, tanto na distribuição de chuvas quanto na ocorrência de secas. Por outro lado, houve episódios de El Niño de intensidade moderada associados a eventos extremos muito significativos.
Sob os efeitos do El Niño de 2023/2024, que não figurou entre os mais fortes da história, por exemplo, o Rio Grande do Sul foi devastado por uma inundação recorde, com quase 200 mortos no Estado. Com informações do portal Estadão.
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