Domingo, 26 de julho de 2026

Porto Alegre

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Economia Prejuízo das empresas estatais coloca em risco o caixa do Tesouro Nacional

Compartilhe esta notícia:

No caso dos Correios, o prejuízo líquido da empresa saltou de R$ 808,8 milhões em 2022 para R$ 8,5 bilhões em 2025. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

A deterioração do resultado primário das estatais nos últimos três anos, passando de um superávit em 2022 para um déficit de 0,07% do PIB em maio de 2026, amplia o risco fiscal para o Tesouro diante da eventual necessidade de aportes ou suplementações orçamentárias, aponta a Instituição Fiscal Independente (IFI).

O Relatório de Acompanhamento Fiscal do órgão técnico, vinculado ao Senado, mostra que as despesas das estatais dependentes da União somaram R$ 30,2 bilhões em 2025. Desse total, R$ 27,5 bilhões foram destinados a pessoal e custeio, enquanto R$ 2,7 bilhões financiaram investimentos e aquisição de ativos.

O Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), responsável pela supervisão das estatais, afirmou que o estudo da IFI contribui para o debate sobre governança e sustentabilidade fiscal.

Segundo o relatório, cinco empresas concentram 77,1% (R$ 21,2 bilhões) das despesas de pessoal e custeio das estatais dependentes: Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), Embrapa, Hospital Nossa Senhora da Conceição, Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e Hospital das Clínicas de Porto Alegre (HCPA).

A IFI também calculou a despesa de pessoal per capita, ajustando férias e 13º salário. Em 2025, Embrapa (R$ 41,8 mil), Nuclep (R$ 37,6 mil) e Ceitec (R$ 32,5 mil) registraram gastos superiores a R$ 30 mil por empregado ao mês.

O estudo aponta ainda deterioração do fluxo de caixa operacional das 17 estatais dependentes desde 2018. O pior resultado foi o da Ebserh, com saldo negativo de R$ 13,5 bilhões, seguida por Embrapa (-R$ 4,4 bilhões), Hospital Nossa Senhora da Conceição (-R$ 2,6 bilhões) e Codevasf (-R$ 2,6 bilhões).

Na análise da suficiência de caixa operacional, quatro empresas — Codevasf, Infra, EBC e Amazul — apresentaram insuficiência em 2025. A Codevasf registra essa situação desde 2022 e fechou o ano passado com déficit de caixa de R$ 910,3 milhões.

“A situação em que a subvenção paga pelo Tesouro a uma empresa estatal dependente é insuficiente para cobrir suas necessidades de caixa resulta em impactos contábeis, fiscais e operacionais graves”, afirma o relatório, que cita como consequências a geração de restos a pagar e inadimplência.

Correios e Infraero

A IFI também avaliou as estatais não dependentes, que não utilizam recursos do Tesouro para custear pessoal e investimentos. Segundo o órgão, indicadores de margem operacional, exposição a receitas financeiras e qualidade do lucro revelam fragilidades em diferentes empresas.

“Casos como os da ECT (Correios), da Emgepron e da Infraero mostram que, mesmo sem onerar diretamente o OFSS (orçamento fiscal e da seguridade social), essas empresas podem comprometer sua capacidade de distribuição de dividendos à União ou, em situações mais extremas, demandar aportes de capital, como o que a União fará na ECT em 2027, conforme previsto no contrato do empréstimo contratado pela empresa em 2025”, destaca o relatório.

Nos Correios, o prejuízo líquido passou de R$ 808,8 milhões em 2022 para R$ 8,5 bilhões em 2025. A IFI atribui o resultado à influência de fatores externos sobre parte das receitas e ao aumento dos custos com pessoal e benefícios.

Já a Infraero saiu de um lucro líquido de R$ 15,5 milhões em 2022 para R$ 316,2 milhões em 2025. Segundo a IFI, a estatal passou por uma reestruturação voltada à prestação de serviços aeroportuários e ao desenvolvimento da aviação regional.

“No período de transição, houve perda de receita operacional, resultados negativos recorrentes e dependência temporária de receitas financeiras geradas pelo caixa recebido das concessões, até a estabilização observada no início de 2026”, aponta o documento.

Governo

Em nota, o MGI afirmou que o relatório utiliza dados produzidos pela Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (Sest), beneficiados por avanços recentes em transparência e monitoramento.

“O documento utiliza informações produzidas pela Sest, após avanços recentes em transparência, monitoramento e qualidade das informações das empresas. Com isso, tem sido possível identificar com maior precisão riscos e desafios, os quais vem sendo objetos de medidas de gestão e apoio em construção e implementação coordenada”, diz.

O ministério afirma que indicadores como fluxo de caixa e insuficiência operacional devem ser analisados conforme as características e os modelos de financiamento de cada empresa.

O MGI ressalta ainda que empresas como Ebserh, Embrapa, Conab, Codevasf e CBTU atuam em áreas estratégicas, apoiando a saúde pública, a pesquisa agropecuária, a segurança alimentar, o desenvolvimento regional e a mobilidade urbana.

Segundo o ministério, as estatais federais seguem desempenhando papel estratégico ao prestar serviços essenciais, executar políticas públicas e contribuir para as contas públicas. (Com informações de O Estado de S. Paulo)

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Economia

Deixe seu comentário

Verificação de Email - você receberá um email de confirmação após enviar o seu primeiro comentário, mas ele só será publicado depois que você clicar no link de verificação enviado para a sua conta de e-mail para confirma-lo. Os próximos comentários serão publicados automaticamente por 30 dias!

0 Comentários
mais recentes
mais antigos Mais votado
O Fundo Monetário Internacional enalteceu o Pix do Brasil
Fúria tarifária: com ofensiva de Trump, Brasil passa a contar com 5 tipos de tarifas para os Estados Unidos
Pode te interessar
0
Adoraria saber sua opinião, comente.x