Segunda-feira, 17 de agosto de 2026
Por Redação O Sul | 15 de agosto de 2026
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, determinou na quinta-feira a suspensão temporária do processamento de novas filiações partidárias no sistema Filia, utilizado pelas legendas para registrar a entrada de novos filiados. A medida foi adotada após a identificação de uso indevido de credenciais do sistema para alterar a filiação do senador e candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Além de interromper o processamento de novos registros, Kassio determinou a apuração de possíveis tentativas de fraude envolvendo outros candidatos à Presidência da República.
Segundo informações do TSE, a equipe técnica identificou uma tentativa de alterar a filiação partidária do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A mudança, no entanto, não chegou a ser efetivada e foi bloqueada.
De acordo com a Corte, a suspensão do processamento não traz prejuízos às legendas ou aos filiados, já que a legislação eleitoral estabelece prazos específicos para a filiação partidária com vistas às eleições, e o sistema continua recebendo novos pedidos.
A expectativa do tribunal é que o processamento das filiações seja retomado em breve, após a adoção de medidas para reforçar a segurança e evitar novas tentativas de uso indevido do sistema.
Mais cedo, o TSE informou que a filiação de Flávio Bolsonaro ao partido Missão não decorreu de um ataque hacker ao sistema da Justiça Eleitoral, mas do uso indevido das credenciais da própria legenda por uma pessoa autorizada a operar a ferramenta de filiação. O presidente da Corte também encaminhou o caso à Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) e determinou a instauração de inquérito pela Polícia Judiciária para identificar os responsáveis.
Filiação irregular
O Missão acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na sexta-feira e entregou à Corte o endereço de IP usado para iniciar a filiação irregular de Flávio Bolsonaro ao partido, numa tentativa de identificar o responsável pelo cadastro. A legenda também apresentou registros que mostram que e-mails enviados ao endereço oficial do mandato do senador foram abertos e tiveram links acessados nos dias que antecederam a efetivação da mudança partidária.
O partido pediu ao TSE que sejam obtidos junto aos provedores dados sobre a origem e a titularidade do IP, além das contas vinculadas ao endereço e dos registros de conexão no período. O caso foi distribuído ao ministro Floriano de Azevedo Marques.
Segundo o Missão, o cadastro em nome de Flávio foi iniciado em 2 de agosto, às 9h05. A legenda afirma que quem realizou o procedimento informou dados falsos, entre eles um CPF fictício, enquanto o e-mail utilizado foi o endereço oficial do mandato do senador no Senado.
A documentação entregue pelo partido inclui ainda registros das mensagens enviadas para esse endereço depois do início do cadastro. O Missão afirma que os dados mostram a entrega e a abertura dos e-mails, além de cliques em links enviados nas mensagens. Segundo a legenda, as comunicações foram feitas ao longo dos dez dias entre o pedido inicial e o processamento da filiação pela Justiça Eleitoral.
“Entramos com uma representação no TSE sobre o absurdo que foi essa manipulação que tentaram fazer no nosso sistema com a filiação do Flávio. Todas as informações que já disponibilizamos à imprensa serão disponibilizadas ao tribunal para a devida apuração”, afirmou o presidente do Missão e candidato à Presidência, Renan Santos.
Renan também questionou a versão apresentada por Flávio de que as mensagens teriam sido confundidas com spam. “Ele foi notificado por e-mail. O Gmail oficial foi aberto, houve clique em botões, inclusive relacionados à filiação. Depois ele disse que achava que era spam. Tudo isso precisa ser esclarecido”, afirmou. As informações são do jornal O Globo.
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