Segunda-feira, 14 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 24 de agosto de 2026
Lula afirmou que as conversas com Trump têm ocorrido de maneira positiva, apesar das divergências entre os dois governos.
Foto: Ricardo Stuckert/PRO presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que mantém uma relação “civilizada” e “respeitosa” com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mas criticou medidas adotadas por integrantes do governo norte-americano. Segundo o petista, existe uma diferença entre o tom das conversas diretas com Trump e algumas decisões tomadas pelo chamado segundo escalão da administração americana.
A declaração foi dada em entrevista à TV Record, exibida no domingo (23), dois dias depois de uma conversa telefônica entre os dois presidentes. O contato durou cerca de uma hora e 20 minutos e marcou uma retomada do diálogo direto entre Brasília e Washington em meio às tensões comerciais entre os países.
Lula afirmou que as conversas com Trump têm ocorrido de maneira positiva, apesar das divergências entre os dois governos.
“Eu disse para o Trump: ‘Não é possível. Nós conversamos, tudo vai bem’. A minha conversa com ele é muito civilizada e muito respeitosa, tanto da minha parte quanto da parte dele. Mas, depois, o segundo escalão toma atitudes que são impensáveis”, declarou.
O presidente brasileiro disse ainda que, em algumas situações, tem dúvidas sobre a origem das decisões adotadas pelos Estados Unidos. Segundo Lula, não está claro se determinadas medidas partem diretamente de Trump ou de integrantes de sua equipe.
“Eu não sei se é o governo americano, se é o Trump ou se é a assessoria do Trump. Eu, às vezes, tenho a impressão que o Trump é bem melhor na relação política do que a assessoria”, afirmou.
A principal tensão entre os dois países está relacionada às tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e às acusações feitas por autoridades americanas em relação a decisões tomadas pelo governo brasileiro.
Lula voltou a rejeitar o que considera interferência de Washington em assuntos internos do Brasil. Para o presidente, divergências comerciais devem ser tratadas por meio de negociação entre os governos, sem medidas que, na avaliação dele, ultrapassem os limites da relação diplomática.
O telefonema com Trump ocorreu em um momento de tentativa de reabrir negociações sobre as tarifas. Segundo o governo brasileiro, os dois presidentes discutiram possibilidades de entendimento e determinaram que representantes das duas administrações continuassem as conversas técnicas.
Lula também defendeu uma relação comercial de longo prazo entre Brasil e Estados Unidos. O presidente afirmou que o país está disposto a negociar, mas pretende ampliar a participação brasileira em setores estratégicos e agregar valor à produção nacional.
Entre os temas citados está a exploração de minerais críticos e terras raras. Lula afirmou que o Brasil não pretende limitar sua atuação à exportação de matérias-primas e defendeu investimentos em tecnologia e industrialização.
A relação com Washington também é acompanhada pelo setor empresarial brasileiro, que teme os efeitos das tarifas sobre as exportações para o mercado americano. Os Estados Unidos são um dos principais parceiros comerciais do Brasil, e mudanças nas condições de acesso ao mercado podem afetar empresas de diferentes setores.
Apesar das críticas, Lula afirmou que o governo brasileiro continua disposto ao diálogo. A retomada das conversas diretas com Trump é vista pelo Palácio do Planalto como uma tentativa de reduzir as tensões e abrir espaço para negociações entre as equipes dos dois países.
As declarações ocorrem ainda no contexto da campanha eleitoral de 2026. Lula é candidato à reeleição e tem defendido a atuação diplomática do governo como instrumento para proteger interesses comerciais e estratégicos brasileiros.
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