Segunda-feira, 07 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 5 de setembro de 2026
Os novos desdobramentos do caso Master e a crise no Supremo Tribunal Federal (STF) passaram a ocupar o discurso dos candidatos à Presidência nos últimos dias. Em meio às revelações envolvendo integrantes da Corte, os presidenciáveis apresentaram diferentes respostas para o episódio, que vão da saída de Moraes do tribunal à discussão de uma nova Constituição.
Lula tem defendido que eventuais irregularidades reveladas pelo caso Master sejam investigadas, mas dentro das regras institucionais e sem transformar suspeitas em condenações antecipadas. Na sexta-feira (4), o presidente afirmou que a lei deve valer para todos, voltou a defender uma reforma do Judiciário e afirmou que pretende discutir mudanças na estrutura da Justiça brasileira ao longo do próximo ano, caso seja reeleito.
Flávio Bolsonaro (PL), que já vinha fazendo críticas ao ministro Alexandre de Moraes, afirmou nesta sexta que viu uma “luz no fim do túnel” nas declarações do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, e afirmou fazer defesa intransigente do STF como instituição.
Augusto Cury (Avante) afirmou que ninguém deve ser poupado de eventuais investigações e defendeu reforma no STF. Renan Santos (Missão) afirmou que, se eleito, atuará para afastar Moraes e Dias Toffoli e defendeu que o país discuta uma nova Constituição.
Romeu Zema (Novo) passou a defender a prisão de Moraes. Ronaldo Caiado (PSD) defendeu a quebra do sigilo de relatório da PF feita por Mendonça, pediu a renúncia do ministro e propôs mudanças nas regras do Judiciário.
A crise ganhou força após virem a público novos elementos das investigações relacionadas ao Banco Master, que colocaram integrantes do Supremo no centro do debate político e provocaram uma série de manifestações dos candidatos à Presidência.
– Lula defende investigação e reforma: Na quinta-feira (3), Lula afirmou que o país “não pode ficar refém de vazamentos seletivos” e que defende a adoção de um código de ética para o Judiciário.
“O escândalo do Banco Master é o maior roubo da história do Brasil. Roubaram milhões de pessoas de muitos estados e municípios. O banqueiro, líder do esquema, tem relações com muita gente poderosa. E foi no meu governo que ele foi preso e seu banco fechado. Há suspeita de políticos e agentes públicos envolvidos. Nossa democracia não pode ficar refém de vazamentos seletivos”, disse o presidente e candidato à reeleição.
Lula disse ainda que é “fundamental que se investigue todo mundo, sem blindagem de ninguém, doa a quem doer. Foi a primeira vez que o presidente comenta a crise no Supremo.
Na sexta, ao discursar durante cerimônia no Palácio do Planalto, Lula defendeu uma reforma do judiciário e afirmou que pretende discutir mudanças na estrutura da Justiça brasileira ao longo do próximo ano, se for reeleito.
O petista lembrou que seu governo foi responsável pela reforma do Judiciário aprovada em seu primeiro mandato e afirmou que o tema precisa voltar ao centro do debate.
“Eu sinceramente tenho o prazer e o orgulho de ter sido o presidente da República da primeira reforma do Judiciário, com Márcio Thomaz Bastos na Justiça e o nosso querido Nelson Jobim na presidência da Suprema Corte. E tenho certeza de que faremos no próximo ano uma discussão profunda sobre a necessidade de uma nova reforma do Poder Judiciário brasileiro”, declarou.
Lula também afirmou que a lei deve valer para todos. “Ninguém, ninguém, em nome da democracia, pode utilizar o cargo que tem em benefício pessoal. Ninguém. Isso vale para o presidente da República, vale para um catador de material reciclável. Vale para uma parteira e vale para uma médica. Todo mundo tem que estar subordinado aos mesmos trâmites da legislação. Afinal de contas, ela vale para todos”, disse.
– Flávio diz que Moraes não tem condições de permanecer no STF: Flávio Bolsonaro afirmou na sexta-feira que viu uma “luz no fim do túnel” nas declarações do presidente do STF, Edson Fachin, que defendeu o fim do Inquérito das Fake News e a adoção de um código de ética para ministros da Corte.
Durante agenda em São Carlos, no interior de São Paulo, Flávio disse defender o Supremo como instituição, mas voltou a criticar Alexandre de Moraes.
“A minha defesa vai ser sempre intransigente, a defesa do Supremo Tribunal Federal, a defesa institucional. As pessoas passam, as instituições ficam. Então, é inadmissível chegarmos ao ponto de fazer o que o Alexandre de Moraes está fazendo. Então, ele não tem a menor condição de continuar como ministro do Supremo Tribunal Federal. Nós esperamos aí que o próprio pleno do STF autorize que ele seja investigado no momento”, disse Flávio.
O candidato afirmou que Moraes não tem condições de permanecer no tribunal e defendeu que ele seja formalmente investigado. “Ele não tem a menor condição de continuar como ministro do Supremo Tribunal Federal. Nós esperamos que o próprio pleno do STF autorize que ele seja investigado formalmente”, afirmou.
O senador também criticou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a quem acusou de tentar proteger Moraes. Segundo o candidato, Alcolumbre deveria atuar para preservar as instituições, e não ministros individualmente.
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