Sexta-feira, 18 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 17 de setembro de 2026
O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), afirmou nessa quinta-feira (17) ter esperado por represálias depois de dar andamento a informações recebidas da Polícia Federal. Relator do caso do Banco Master, no qual foi incluído um relatório sobre conversas de Daniel Vorcaro com Alexandre de Moraes, o magistrado também disse não ter nada a temer.
“Quando decidi levar adiante as informações que recebi da Polícia Federal, sabia que viriam represálias. Fui advertido, de forma implícita e explícita, de que viriam ataques à minha pessoa e a pessoas próximas a mim”, disse.
Mendonça também afirmou que esses ataques não o farão parar. “No entanto, nada tenho a temer. Assim, apesar dos ataques e tentativas de intimidação, seguirei cumprindo meu dever com serenidade e responsabilidade”, disse.
Segundo o ministro, esse tipo de recurso é usado por aqueles sem condições de vencer um debate. “Conforme ensina (o filósofo alemão Arthur) Schopenhauer, dentre os estratagemas para se tentar vencer um debate sem ter razão estão os ataques pessoais contra quem se diverge, fazendo-o de forma injusta, ofensiva e insultante.”
Moraes e Mendonça protagonizaram uma dura discussão durante a sessão do STF na última terça (15) que analisaria o relatório da PF que aponta Moraes como interlocutor do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
Moraes acusou o colega de ter pedido, durante reunião com a PF, que ele fosse incluído em um acordo de colaboração premiada, a chamada delação, e de agir “a serviço de um grupo político que quis dar um golpe neste país”. Mendonça negou as afirmações e disse que Moraes estava mentindo. “Mentira. Mentira”, repetiu o magistrado mais de uma vez.
Segundo Moraes, a sessão era resultado de uma “investigação fraudulenta” contra ele.
Nessa quinta, o ministro Gilmar Mendes afirmou que Mendonça, que foi indicado ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), é “boneco de campanha” e “pixuleco eleitoral”.
Já o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Edson Fachin, suspendeu a análise atuação do ministro André Mendonça que estava prevista para o próximo dia 23. No despacho, ele não definiu uma nova data para a discussão.
A tendência já era Fachin adiar a sessão. A avaliação do entorno do presidente do tribunal era a de que, na prática, o pedido de vista do ministro Flávio Dino na sessão histórica de terça (15) inviabilizou tecnicamente que o caso de Mendonça vá ao plenário semana que vem. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.
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