Sexta-feira, 18 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 17 de setembro de 2026
O ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal) determinou nessa quinta-feira (17) que a PF (Polícia Federal) e CVM (Comissão de Valores Imobiliários) investiguem a suposta relação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro com as concessionárias que administram o serviço funerário do município de São Paulo.
A decisão foi tomada após matérias jornalísticas revelarem que o ministro André Mendonça, antigo relator do caso Master, teve um encontro com Vorcaro, em março de 2025.
Na semana passada, Mendonça confirmou que havia se reunido com o ex-banqueiro e esclareceu que o encontro teve como tema a tramitação de uma ação em análise no Supremo Tribunal Federal (STF). No processo, o Master discutia questões relacionadas a créditos de precatórios de fundos ligados ao banco, que estavam sendo analisadas pela Corte.
Segundo a reportagem, os fundos mencionados no processo possuem participação societária nas empresas responsáveis pela operação dos cemitérios. O caso começou a tramitar em 2023 e permanece sob a relatoria da presidência do STF, responsável pela condução do processo na Corte.
Decisão
Ao determinar a abertura da investigação, Dino afirmou que a apuração deverá se restringir à suposta relação entre o Master e as empresas concessionárias envolvidas no caso. Segundo a decisão, eventuais medidas que possam atingir Mendonça não poderão ser adotadas sem uma autorização prévia do Supremo Tribunal Federal (STF).
Diante disso, o ministro encaminhou sua decisão ao presidente do STF, Edson Fachin, para que sejam tomadas as “medidas que considerar cabíveis”. A definição sobre a abertura de uma investigação envolvendo integrantes da Corte cabe ao presidente do Supremo.
“Desde logo, esclareço ser vedado qualquer ato investigativo que possa atingir o ministro André Mendonça, pois este encaminhamento compete exclusivamente ao presidente do STF junto ao colegiado”, afirmou.
Cemitérios
Flávio Dino é relator da ação na qual o PCdoB contesta a legalidade dos preços cobrados pelas empresas que operam os cemitérios de São Paulo. Em novembro de 2024, Dino determinou que sejam cobrados os valores dos serviços funerários praticados antes da concessão dos cemitérios à iniciativa privada.
Segundo levantamento do Sindicato dos Servidores Municipais de São Paulo, antes da concessão o custo do pacote mais barato de serviços funerários era de R$ 428,04. Depois da concessão das unidades à iniciativa privada, o menor valor de pacote aos clientes passou para R$ 1.494,14. (As informações são da Agência Brasil)
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