Domingo, 20 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 19 de setembro de 2026
Cuba sofreu um novo apagão na sexta-feira (18), em meio à crise energética provocada pela deterioração das usinas termelétricas e pela escassez de combustível. O Ministério de Energia e Minas informou que ocorreu uma desconexão total do Sistema Elétrico.
Este é o sétimo apagão generalizado registrado em Cuba desde o início do ano. Desde o fim de 2024, o país, que tem 9,4 milhões de habitantes, contabiliza 12 interrupções de grandes proporções.
Os apagões afetam também o abastecimento de água e interrompem o funcionamento de aparelhos como ventiladores, indispensáveis diante das altas temperaturas. As sucessivas quedas de energia têm ampliado o desgaste da população cubana.
Os Estados Unidos mantêm um embargo contra Cuba desde 1962. Em janeiro, o governo do presidente Donald Trump endureceu as restrições ao fornecimento de petróleo à ilha. Desde então, Washington permitiu apenas a chegada de um petroleiro russo, que transportou 100 mil toneladas de petróleo em março. Segundo o relato, essas reservas já foram consumidas.
A gestão Trump também intensificou as sanções contra empresas estatais cubanas, o que levou companhias estrangeiras a suspender operações no país. No fim de junho, o ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, afirmou que as negociações com os Estados Unidos não apresentavam avanços. Em meio à crise, o governo de Havana começou a implementar reformas de livre mercado na tentativa de estimular a economia.
No fim da tarde desse sábado (19), a União Elétrica de Cuba informou que tinha conseguido religar o Sistema Elétrico Nacional em 14 das 15 províncias da ilha, e que apenas Guantánamo, no extremo leste do país, ainda estava fora da rede.
No entanto, amplas áreas da ilha continuam sem serviço por causa da baixa disponibilidade de geração elétrica, incluindo Havana, onde apenas 48% da população contava com fornecimento de energia esta noite.
“Aqui tivemos mais ou menos quatro horas de luz à tarde e depois cortaram de novo”, declarou à AFP Lucía Martínez, uma pensionista que mora na zona oeste da capital.
No apagão generalizado anterior, no início de agosto, a companhia levou 36 horas para restabelecer o serviço. Cuba sofre cortes constantes de energia devido à obsolescência das sete usinas termelétricas que constituem a espinha dorsal da rede nacional.
As autoridades da UNE afirmam que, se o país dispusesse desse combustível, poderia restabelecer sua rede elétrica com maior rapidez.
Nas últimas semanas, os apagões se prolongaram por mais de 30 horas na capital, enquanto em outras províncias já somam mais de 60 horas consecutivas.
Havana responsabiliza Washington pela situação crítica do sistema elétrico, enquanto os Estados Unidos consideram que esta se deve à má gestão econômica interna. (Com informações do portal Estadão e AFP)
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