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Eleições 2026 Saiba por que as pesquisas eleitorais divergem tanto

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Discrepância nos números reacende debate sobre pesquisas. (Foto: Terdag Media)

As pesquisas eleitorais divulgadas na última semana geraram críticas na internet devido às divergências nos resultados. A BTG/Nexus, divulgada na segunda-feira (21), apontou Flávio Bolsonaro (PL) com 37% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto a Quaest, publicada no mesmo dia, registrou 33%.

As diferenças entre levantamentos de intenção de voto não são novas e costumam gerar dúvidas entre os eleitores.

Formulação

A elaboração começa pelo questionário e pelo planejamento da amostragem, ou seja, a definição do grupo de pessoas que será entrevistado.

O estatístico Neale El-Dash, doutor em amostragem pela Universidade de São Paulo (USP) e fundador do agregador PollingData, afirma que um grupo de 2 mil a 5 mil pessoas precisa ser selecionado de forma rigorosa para representar o eleitorado.

“Um grupinho de poucas pessoas deve ser selecionado para representar toda a população ou todos os eleitores do Brasil. Então esse que é o ‘pulo do gato’: como você seleciona essas pessoas de forma que a opinião delas represente a opinião do todo”, explicou.

A Quaest, por exemplo, estrutura a amostragem em três etapas: sorteio de municípios por Probabilidade Proporcional ao Tamanho (PPT), seleção de setores censitários do IBGE e aplicação de cotas sociodemográficas nos domicílios escolhidos. A AtlasIntel utiliza o recrutamento digital aleatório (Atlas RDR), captando participantes durante a navegação na internet.

Modos de coleta

As entrevistas podem ser realizadas por telefone, presencialmente ou pela internet. Cada método apresenta características próprias e pode influenciar os resultados.

“Na presencial, você está falando pessoalmente com as pessoas, então é mais fácil elas responderem de forma correta. Já o telefônico, ele tem de ser mais curto. Na forma online é mais fácil chegar no respondente; por outro lado, existem respondentes profissionais, o cara que na verdade está ali para ganhar um dinheiro e não responde tão bem as coisas ou responde com pressa”, disse El-Dash.

As pesquisas presenciais também enfrentam o chamado “problema do porteiro”, que envolve barreiras físicas, sociais ou de segurança para acessar determinados entrevistados, como moradores de condomínios fechados ou áreas controladas pelo crime organizado. Telefone e internet podem ser utilizados para contornar essas dificuldades.

Precisão

Aumentar o número de entrevistados reduz a margem de erro estatística, mas não corrige problemas de representatividade, vieses de seleção ou dificuldades na coleta.

Segundo El-Dash, em pesquisas nacionais com distribuição proporcional dos entrevistados entre os Estados, cerca de 2 mil entrevistas costumam ser suficientes para uma margem de erro inferior a três pontos percentuais.

Quando há amostragem desproporcional, como a realização de 1 mil a 1,5 mil entrevistas por Estado para posterior consolidação nacional, são necessários ajustes de ponderação para restabelecer a proporção da população.

Cotas e ponderação

As cotas buscam garantir a participação de grupos com menor probabilidade de responder, como jovens ou pessoas que passam o dia fora de casa.

Após a coleta, diferenças em relação ao perfil oficial do eleitorado, com base em dados do IBGE e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), podem ser corrigidas por meio da ponderação estatística. O procedimento atribui pesos diferentes às respostas para recalibrar a amostra.

A divergência entre institutos também pode surgir nessa etapa. A AtlasIntel, por exemplo, considera gênero, idade, escolaridade, renda, região e comportamento eleitoral anterior, incluindo o voto declarado em 2022. Como não há uma regra única sobre quais variáveis devem ser utilizadas, diferenças metodológicas podem alterar os percentuais finais.

Interpretação

A diversidade de métodos de coleta, questionários e fórmulas de ponderação pode produzir resultados diferentes entre os institutos.

Segundo El-Dash, a existência de mais pesquisas amplia a concorrência e a transparência metodológica. Para acompanhar as variações, a orientação apresentada pelo pesquisador é observar a tendência geral em vez de considerar apenas um levantamento.

Agregadores de pesquisas utilizam modelos estatísticos para considerar os diferentes métodos e possíveis vieses de cada instituto, reduzindo o efeito das divergências pontuais entre os levantamentos. (Com informações de O Estado de S. Paulo)

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