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Colunistas Falta credibilidade

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(Foto: Evaristo Sá/AFP)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

O palco do espetáculo de impedimento da primeira mulher a chegar ao cargo de presidente do Brasil já está montado no Senado da República. Desde ontem nos resta assistir, sem direito a intervenção. O texto do roteiro da grande ópera já foi concluído. O que incomoda uma parcela significativa da plateia não é nem mesmo o tema principal da peça em cartaz, mas os atores que desempenham seus papéis de forma surpreendentemente cínica.

Dilma está sendo julgada por qual crime mesmo? Digamos que seja o crime de incompetência, já que as tais pedaladas fiscais com certeza não podem, salvo atingissem a todos que utilizaram o expediente, ser o motivo da expulsão sumária da mulher que recebeu mais de 54 milhões de votos validos e democráticos. Você gostaria de ser julgado por um suposto criminoso? Digamos que você fosse flagrado pela receita federal tendo utilizado algum documento de origem duvidosa para conseguir um desconto no IR.

Sabemos que isso não acontece, somos todos ilibados, cidadãos probos. Mas, digamos que a receita flagrasse um recibo inconveniente em sua declaração. Ok. Você aceitaria ser julgado por um famoso sonegador de impostos? Por que o atual julgamento incomoda tanto. Primeiro por não ser claro o crime cometido pela presidência. Segundo e brutal motivo; a qualidade dos julgadores.

Na Câmara Federal, assistimos as cenas mais dantescas de desleixo e desrespeito as mais básicas atitudes de culto ao parlamento, o resultado jamais em tempo algum poderá ser contado com honra legislativa. Mais de 70% dos que votaram “sim”, respondem na Justiça por questões penais; outros tantos são investigados por improbidade administrativa; 452 dos 513 deputados federais têm pendências com tribunais de contas, justamente a origem do que a Câmara apontou como crime de responsabilidade da Presidenta; outros 75% dos que defenderam o impedimento estão pendurados com processos na Justiça Eleitoral”.

O segundo ato está acontecendo no Senado no qual 40% dos senadores estão sob investigação no Supremo Tribunal Federal (STF). Dos 81 integrantes do Senado, pelo menos 30 respondem a inquéritos ou ações penais na mais alta corte do país. Entre os investigados, 12 são alvos da Operação Lava Jato, como o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o ex-presidente da República Fernando Collor (PTB-AL), único senador denunciado até agora pela Procuradoria-Geral da República.

Desde janeiro de 2013, há um parecer da Procuradoria-Geral da República oferecendo denúncia contra o presidente do Senado, Renan Calheiros. Dois anos e meio depois, o pedido não foi analisado. Renan é acusado de peculato, falsidade ideológica e uso de documento falso no Inquérito 2593, que apura crimes atribuídos a ele em 2007, quando teve de renunciar à presidência do Senado em meio a uma série de acusações. Atualmente, ele é investigado em outros três inquéritos da Lava Jato por corrupção e lavagem de dinheiro. Ou será que essas acusações já prescreveram?

Todo o processo não passa credibilidade. O sentimento mais profundo é que estamos em meio a uma farsa histórica. Pior hoje não se encontra nem mesmo a lanterna do Diógenes. Se alguém te oferecer uma, cuide de saber a sua origem; provavelmente será pirata, made em lugar algum. Que tempos!

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

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