Domingo, 14 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 11 de novembro de 2016
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu cerca de R$ 8 milhões em propina do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, alvo da Operação Lava-Jato, sendo que parte desse dinheiro foi repassado em espécie. A informação foi revelada pela revista IstoÉ nesta sexta-feira (11).
O modelo suspeito de entrega do dinheiro consta de um dos 300 anexos da delação premiada de executivos e funcionários da empreiteira, considerado o mais importante até agora, e foi confirmado pelo ex-presidente da empresa Marcelo Odebrecht.
Ele informou que a maior parte dos repasses foi feita quando Lula já tinha deixado o Palácio do Planalto, sobretudo entre os anos de 2012 e 2013. Os investigadores da Lava-Jato explicaram que Lula recebeu a propina em dinheiro vivo por meio do que chamam “método clássico” da prática corrupta.
A revista destaca que essa estratégia é “uma maneira de evitar registros de entrada, para quem recebe, e de saída, para quem paga, de dinheiro ilegal”. A publicação questiona “se os repasses representavam meras contrapartidas a “palestras”, como a defesa do ex-presidente costuma repetir como ladainha em procissão, e se havia lastro e sustentação legal, por que os pagamentos em dinheiro vivo?”
Pagamentos
Os pagamentos a Lula eram sigilosos dentro da própria Odebrecht, uma vez que a prisão de Marcelo Odebrecht, em junho de 2015, provocou esquema interno de emergência chamado de Operação Panamá – “uma varredura nos computadores, identificar os arquivos mais sensíveis e enviá-los para a filial da empresa no país caribenho”.
Segundo a IstoÉ, “o objetivo não era outro, senão desaparecer com digitais e quaisquer informações capazes de comprovar transferências de recursos financeiros da Odebrecht ao ex-presidente Lula. Àquela altura, a empreiteira ainda resistia a entregar o petista, topo da hierarquia do esquema do Petrolão. Mudou de planos premida pelo instinto de sobrevivência”.
Não foi só Marcelo Odebrecht que confirmou a propina a Lula. De acordo com a revista, o petista também é citado pelo dono da empreiteira e pai de Marcelo, Emílio Odebrecht; Alexandrino Alencar, ex-executivo da empresa; e o diretor de América Latina e Angola, Luiz Antônio Mameri.
A publicação informa ainda que, dentro do pacote de depoimentos dos funcionários da Odebrecht, há uma troca de mensagens eletrônicas entre Mameri e Marcelo Odebrecht. Nessa conversa, diz a revista, “fica clara a participação de Lula para a aprovação de projetos da empreiteira no BNDES”.
Em seu depoimento, o diretor confirmou as mensagens e disse que as influências de Lula e do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, hoje preso, foram decisivas para a aprovação de projetos definidos exatamente como foram concebidos nas salas da Odebrecht, sem que fossem submetidos a nenhum tipo de checagem. Mameri citou obras em Angola e Cuba.
Lula é réu em três ações criminais que tramitam na Justiça Federal. Em julho de 2016, Lula passou a ser acusado de obstruir as investigações da Lava-Jato, após decisão da 10ª Vara Federal de Brasília (DF). Em setembro, o juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba (PR), decidiu tornar Lula réu de novo por causa de corrupção e lavagem de dinheiro no caso do triplex em Guarujá (SP).
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