Quinta-feira, 19 de março de 2026

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Mundo Na Venezuela, guardas do governo já examinam os celulares dos transeuntes

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Homens da Guarda Nacional passam por barricada nas ruas de Caracas. (Foto: Reprodução)

A GNB (Guarda Nacional Bolivariana), que é a guarda da Venezuela, começou a executar ordens do Sebin (Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional), parando gente na rua para revisar seus celulares. O órgão também vem tentando rastrear de onde saem os vídeos caseiros que são feitos por manifestantes e transeuntes que filmam cenas de repressão para colocar nas redes sociais.

“Eu filmo, sim, jogo no meu grupo de amigos, mas depois apago do aparelho. Tem um aqui que posso te mostrar”, disse à Diana (nome fictício), 30 anos, habitante do bairro de classe média de Bello Monte, hoje em dia o local escolhido pelo grupo jovem e antichavista La Resistencia para fazer manifestações e confrontar a GNB.

Na tela do celular de Diana, via-se um grupo de oficiais pulando as grades de sua casa e vasculhando o jardim. Isso, conta ela, tem acontecido quase todos os dias desde que os protestos desse grupo se mudaram da praça Altamira para cá, há três meses. Neste dia eu tive medo, porque eles subiram no telhado e entraram na sala. Eu então me tranquei com minha avó no quarto. A guarda estava buscando um dos manifestantes, um menino que podia ser meu irmão mais novo, e que se escondeu dentro de casa.”

Diana conta que, depois das 17h, quando volta do trabalho, já não sai mais e fica com a avó octagenária no piso superior da casa, apenas esperando que a manifestação do dia acabe. “Um dia olhei pela janela e havia vários garotos acotovelados no jardim, a guarda veio e levou todos a pauladas.”

Odontóloga e solteira, órfã de pai e mãe, Diana diz que não sabe mais o que fazer. “Ficou impossível viver em Caracas. Para chegar à clínica onde trabalho, cada dia tenho que usar um caminho diferente por causa das barricadas. Quero ir embora do país, mas não sei o que fazer com a minha avó, que mesmo com essa situação, não quer deixar o lugar em que viveu a vida inteira.”

Na calçada em frente da casa de Diana havia manchas de sangue no chão do enfrentamento do dia anterior. “Todos me perguntam como posso continuar vivendo no olho do furacão, mas a verdade é que você começa a se acostumar, vê isso [o sangue] e já não se impressiona.”

De todo modo, Diana quer ir embora e juntar-se à irmã, que vive na Espanha. “Que tipo de vida vou ter aqui? Quantos anos até que o país volte a ter alguma normalidade?”, pergunta ela sobre o futuro.

E, num questionamento acerca do presente, diz não ter “nada para fazer nos fins de semana, todos os meus amigos já foram para outros países, e eu me aborreço, não tenho com quem sair e, mesmo que tivesse, não há lugar para se divertir, muito menos clima para isso”.

Degradação

A degradação de Caracas é visível mesmo para quem visita a capital venezuelana com alguma frequência. Verdade que a região central, governada pelo chavismo, apresenta uma aparência de normalidade. Os belos edifícios históricos da Caracas do século 19 foram restaurados e há mais gente caminhando nas ruas e comércios abertos – ainda que a maioria dos mercados tenha filas grandes para comprar comida, ou nenhuma fila, quando o estoque de fato acaba. Ali, porém, não são comuns protestos nem repressão.

Já no lado Leste da cidade, nos bairros de classe média e alta, o cenário é desalentador. Durante a manhã, ruas semidesertas. O dia avança e mesmo assim se veem poucos carros. Há muitas motos transitando – de manifestantes, coletivos (grupo paramilitar), e moradores que querem evitar as barricadas. O serviço de táxi regular praticamente desapareceu. Pode-se chamar um serviço mais caro, nos hotéis ou por telefone.

“Quem tem táxi comum não se arrisca mais porque as barricadas deixam estilhaços de vidro que podem rasgar as rodas. E comprar um pneu novo aqui é mais difícil que comprar um pulmão. É caro, tem de ser no mercado negro”, conta Jaime Moncada, motorista de um dos hotéis de Chuao.

Já os mototáxis se popularizaram, e muitos usam walkie-talkies para orientar os colegas sobre onde há barricadas mais difíceis de desviar ou onde começaram a reprimir naquele horário.

Nessa região, os restaurantes apresentam um menu limitado. É comum que o garçom entregue o cardápio já avisando que faltam três ou quatro pratos. E tal e tal bebida. Também ficam vazios de noite, devido à insegurança. (Folhapress)

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