Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 22 de agosto de 2017
Uma pesquisa inédita do SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito) e da CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas) aponta que o desemprego e a queda na renda ainda são considerados os principais fatores para a inadimplência no País, apesar de alguns sinais de melhora na economia, incluindo a geração de vagas formais de trabalho. Afinal, no primeiro semestre foram criados 67,3 mil postos, de acordo com o governo federal.
O levantamento mostrou que entre as pessoas com contas em atraso em até 90 dias, 26% ainda culpa a perda do emprego pelo calote e outros 14% apontaram a queda na renda como causa. A pesquisa foi feita em todos os estados do país e entrevistou 600 pessoas. Em anos anteriores da pesquisa, o desemprego foi apontado por 28% dos entrevistados (2016) e 33% (em 2015) como maior culpado pelo atraso nas contas.
Atualmente, segundo o SPC Brasil, existe uma legião de 59,4 milhões de brasileiros com o CPF negativado na praça – o que significa que o nome já foi parar nas listas de inadimplentes, após 90 dias de atraso. Em janeiro deste ano, o total de negativados chegava a 58,3 milhões de pessoas. Há uma elevação de 1 milhão de negativados, mas o número continua dentro da margem de erro da pesquisa, segundo explicou o SPC.
“O desemprego e a perda de renda continuam sendo os principais fatores que levam à inadimplência”, reitera a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti. Mesmo com inflação abaixo de 3% e queda nos juros, o brasileiro ainda não sentiu no bolso os efeitos desse processo. O desemprego continua elevado e a renda segue deprimida, o que ainda afeta a vida financeira das pessoas.
A dívida média em atraso do brasileiro é de R$ 2.980, valor considerado alto pela economista do SPC. Mas o que mais assusta e mostra descontrole financeiro, diz ela, é o fato de que 43% das pessoas não sabem ao certo o quanto devem.
A pesquisa mostrou ainda que outros motivos que levaram os brasileiros à situação de inadimplência foram a falta de controle financeiro (11%) e o empréstimo de nome a terceiros (5%). Na comparação com 2016 (9%) e 2015 (7%), houve uma queda no percentual de pessoas que apontam o empréstimo de nome a terceiros como causa da inadimplência. “Provavelmente quem emprestava o nome para terceiros agora compartilha das mesmas dificuldades de quem pedia o nome emprestado”, afirma o educador financeiro José Vignoli, do portal Meu Bolso Feliz.
O perfil do inadimplente mostra que a maioria é de mulheres (56% contra 44% dos homens), reflexo da população do País. Por faixa etária, a maior concentração de calotes está em pessoas com idade entre 25 e 49 anos, que juntos detém 65% da amostra. Segundo a pesquisa, nove em cada dez (93%) dos inadimplentes entrevistados são das classes C, D e E, e 7% pertencem às classes A e B. O estudo revela que de cada dez consumidores com contas em atraso, cinco (48%) não acreditam que vão conseguir pagar nem ao menos uma parte de suas pendências nos próximos três meses.
“É importante lembrar que cerca de 70% dos brasileiros pertencem às classes C,D e E. Portanto, não é supresa o percentual de 93% apontado pela pesquisa”, diz Maurício Prado, diretor-executivo da Plano CDE, empresa especializada em pesquisas sobre esse segmento da população. “E houve um impacto grande negativo da crise no setor de serviços, onde muita gente das classes C, D e E trabalha informalmente. O resultado foi a diminuição da renda.”
Ele observa que as pessoas acabam fazendo uma “seleção das dívidas”, priorizando algumas contas na hora do pagamento. A pesquisa do SPC mostrou que os compromissos que os inadimplentes mais pagam em dia, são aqueles considerados básicos, como plano de saúde (93% dos que têm esse compromisso), condomínio (89%), aluguel (84%).
As contas que mais estão em atraso, mesmo sem ter gerado negativação do CPF, são as de juros mais elevados, como cartão de loja (84% entre os que têm essa conta), empréstimo em banco ou financeira (74%), cartão de crédito (74%), cheque especial (72%) e crediário (67%).
O estudo revela que de cada dez consumidores com contas em atraso, cinco (48%) não acreditam que vão conseguir pagar nem ao menos uma parte de suas pendências nos próximos três meses. Para 51%, a maior dificuldade para quitar a dívida em atraso é o fato de o valor total da pendência superar em muitas vezes a renda que possui. Entre os 20% que disseram ter a intenção de pagar toda a dívida nos próximos 90 dias e os 26% que pagarão ao menos parte do que devem, pretendem fazer um acordo com os credores.
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