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Brasil A palavra de ordem no mundo político em 2017 foi “serenidade”

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A ministra Cármen Lúcia evocou a serenidade ao defender o papel do Judiciário. (Foto: Fernando Frazão/ Agência Brasil)

Enquanto a população observou atônita ao longo deste ano os desdobramentos das investigações da Operação Lava-Jato, como as denúncias contra o presidente Michel Temer (MDB) e a delação da JBS, a palavra de ordem no mundo político foi “serenidade”.

Em mais de uma ocasião, autoridades disseram manter a serenidade diante das notícias que abalavam o País. A palavra que caiu no gosto dos políticos, remete, segundo os dicionários, a tranquilidade, paz de espírito, harmonia, ausência de perturbação e ponderação.

Apesar da pouca verossimilhança com a realidade dos escândalos de corrupção, a palavra “serenidade” serviu em 2017 como resposta neutra e pacífica a acusações ou ao conflito entre Poderes.

A ministra Cármen Lúcia, presidente do Supremo Tribunal Federal, por exemplo, evocou a serenidade ao defender o papel do Judiciário. Antes dela, a palavra coringa foi usada por Temer, pela ex-presidenta Dilma Rousseff (PT), pelo ex-presidente Lula (PT) e pelo senador Aécio Neves (PSDB).

Relembre momentos serenos de 2017

Serena e confiante

O advogado da ex-presidenta Dilma Rousseff (PT), Flávio Caetano, afirmou que a petista acompanhava “com serenidade e confiança” o julgamento da chapa Dilma-Temer no Tribunal Superior Eleitoral. Por 4 votos a 3, o TSE negou a cassação da chapa eleita em 2014.

Retorno sereno

Foi com “absoluta serenidade” que o senador Aécio Neves (PSDB-MG) disse ter recebido a decisão do ministro Marco Aurélio Mello, do STF (Supremo Tribunal Federal), que lhe devolveu o mandato. O tucano afirmou em nota que, da mesma forma, acatou “de forma resignada e respeitosa a decisão anterior”, que o afastou do Senado em 18 de maio, após ter sido gravado pedindo 2 milhões de reais ao delator Joesley Batista, da JBS.

Justiça serena                                                                                                                                   

Em nota, a defesa de Geddel Vieira Lima (PMDB) também falou em serenidade ao comentar a prisão do ex-ministro, acusado de atrapalhar investigações. “O senhor Geddel Vieira Lima impugnará a decisão através das instâncias ordinárias, com a serenidade daqueles que clamam pela Justiça”, diz o texto.

Inocência e serenidade

O ex-presidente Lula (PT) teve a “serenidade de um inocente e a indignação de um injustiçado” ao ficar sabendo de sua condenação pelo juiz Sergio Moro, da Operação Lava-Jato. As palavras foram de Marcio Macedo, um dos vicepresidentes do PT, que esteve com Lula após a decisão que o condenou por corrupção no caso do tríplex em Guarujá (SP).

Virada serena

Quando o então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, anunciou a revisão dos acordos de delação dos executivos da JBS, o presidente Michel Temer (PMDB), principal delatado, disse ter recebido a notícia com serenidade. Em viagem à China, afirmou: “Recebi com a serenidade de sempre. Não houve uma alteração sequer. Aliás, desde o início. Se eu não tivesse essa serenidade desde o início, creio que ninguém suportaria o que aconteceu”.

Firmeza, mas com serenidade

Em fala durante sessão do Conselho Nacional de Justiça, a presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministra Cármen Lúcia, afirmou que “neste tempo, há que se atuar com serenidade, mas com firmeza, na defesa das instituições democráticas”. A ministra fez uma defesa do Judiciário, num ano de conflito entre os poderes, como “guardião da Constituição” e o último a dizer o que há de prevalecer em caso de litígio.

Condenado e sereno

Ao ser condenado à perda do mandato e à suspensão de direitos políticos por improbidade administrativa, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) respondeu que recorreria com serenidade. Ele é acusado de receber recursos da empreiteira Mendes Júnior para bancar a pensão da filha que teve com a jornalista Mônica Veloso. O escândalo, revelado em 2007, motivou a queda de Renan da presidência do Senado.

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